Brasil
Unesco: 273 milhões de crianças sem acesso à escola no mundo
A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) divulgou em 25 de abril o Relatório Global de Monitoramento da Educação (Relatório GEM) 2026, detalhando a situação da educação no planeta.
Após uma queda de 33% no número de crianças fora da escola entre 2000 e 2015, esse número voltou a crescer, aumentando 3% desde 2015 e chegando a 273 milhões em 2024. Isso representa que uma em cada seis crianças, adolescentes e jovens está excluída do sistema educacional global. Além disso, apenas dois terços dos jovens completam o ensino médio.
Os fatores principais para essa exclusão são o aumento populacional, crises diversas e cortes nos orçamentos destinados à educação.
Contagem Regressiva para 2030
A Unesco alerta que os números oficiais podem subestimar a realidade em pelo menos 13 milhões de jovens, especialmente em países com conflitos onde dados são escassos ou incompletos. Este é o primeiro relatório de uma série que acompanhará, até 2030, avanços em acesso, qualidade e relevância da educação.
Matrículas em Crescimento
Com 1,4 bilhão de estudantes registrados em 2024, houve um aumento significativo nas matrículas desde 2000: 30% no ensino fundamental e médio, 45% na educação infantil e impressionantes 161% no ensino superior. Essa expansão significa que a cada minuto, mais de 25 crianças começam a frequentar a escola.
Países como a Etiópia e a China exemplificam essa expansão, com aumentos de matrículas primárias e superiores muito expressivos nos últimos anos.
Educação Infantil e Permanência na Escola
Embora globalmente 75% das crianças de 5 anos frequentem a educação pré-primária, somente 60% dos alunos do ensino fundamental tiveram pelo menos um ano nessa fase anterior, indicando que muitas crianças avançam direto para o ensino fundamental, pulando etapas importantes.
O relatório destaca uma desaceleração na permanência escolar desde 2015, principalmente na África Subsaariana devido ao crescimento populacional e conflitos, além do Oriente Médio, afetado por tensões e ataques recentes.
A Unesco enfatiza que mais de uma em cada seis crianças vive em regiões marcadas por conflitos, aumentando ainda mais o número de jovens fora da escola.
Progresso e Desafios por País
Apesar dos desafios, alguns países conseguiram reduzir significativamente as taxas de evasão escolar. Madagascar e Togo tiveram quedas expressivas entre crianças, enquanto Marrocos e Vietnã avançaram na redução entre adolescentes. A Geórgia e a Turquia se destacaram entre jovens, e a Costa do Marfim diminuiu drasticamente a exclusão em todas as faixas etárias.
Entre 2000 e 2024, o México e Serra Leoa também registraram avanços importantes na conclusão escolar em comparação com outros países da região.
Conclusão e Repetência Escolar
Mais crianças estão concluindo seus estudos: as taxas de conclusão foram de 77% para 88% no ensino primário, de 60% para 78% no ensino fundamental e 37% para 61% no ensino médio entre 2000 e 2024. Contudo, o ritmo atual indica que a meta global de 95% de conclusão do ensino médio só será atingida em 2105.
As taxas de repetência diminuíram significativamente, mas o atraso escolar ainda é um problema em nações de baixa renda, onde muitos estudantes terminam cada ciclo educacional com vários anos de atraso.
Metas Globais e Inclusão
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 da ONU busca garantir a conclusão gratuita e de qualidade do ensino primário e secundário até 2030. A maioria dos países já estabeleceu metas nacionais relacionadas a esse objetivo.
As disparidades de gênero na educação diminuíram globalmente, com casos notáveis como no Nepal, onde meninas avançaram em igualdade e até superaram os meninos graças a políticas focadas na igualdade de gênero.
Além disso, a educação inclusiva tem avançado, com mais países adotando leis que garantem o direito à educação para crianças com deficiência e ampliando as definições de inclusão educacional.
Financiamento e Recomendações
Os mecanismos de financiamento da educação têm melhorado e ampliado nos últimos 25 anos, incluindo transferências para comunidades, escolas e famílias, além de programas de merenda escolar que cresceram significativamente.
Na educação pré-primária e superior, diversos subsídios e apoios financeiros facilitam o acesso e a permanência dos estudantes.
A Unesco recomenda que os países integrem de forma mais rigorosa suas metas educativas aos planejamentos nacionais, usem dados de forma eficiente para monitorar participação e equidade, além de avaliar políticas públicas continuamente.
O organismo destaca a importância do intercâmbio entre países para a adaptação de soluções educacionais que respeitem as realidades locais, e reforça que o desenvolvimento educacional deve priorizar a equidade e a avaliação de resultados.


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