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USP oferece bônus de até R$ 4,5 mil para professores; saiba como funciona

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A Universidade de São Paulo (USP) está prestes a aprovar um adicional salarial de R$ 4.500 para docentes que desenvolverem novas atividades, como ministrar disciplinas em inglês ou realizar trabalhos comunitários. Conforme o reitor Aluisio Segurado, o objetivo é reter e valorizar talentos, especialmente os jovens professores contratados recentemente.

Chamada Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (GACE), essa remuneração será mensal, com duração de dois anos, e disponível apenas para docentes em dedicação integral, que compõem mais de 80% do corpo docente. Considerando que o salário inicial de um professor doutor em dedicação exclusiva é de R$ 16,3 mil, o adicional corresponderia a um acréscimo de 27%.

A aplicação da GACE será votada em reunião do Conselho Universitário no dia 31. Espera-se um investimento anual de R$ 238,44 milhões, caso todos os aproximadamente 5 mil professores participem com projetos. A verba será proveniente dos fundos de reserva da USP, não afetando o Tesouro estadual.

Aluisio Segurado destacou que o valor fixo beneficia ainda mais os talentos jovens que estão iniciando a carreira, além de estimular propostas inovadoras de extensão universitária, como cursos para a terceira idade, grupos de robótica e feiras de profissões, voltadas para a comunidade externa.

Os docentes que tiverem os projetos aprovados começarão a receber o adicional a partir de 2027. A USP publicará um edital detalhando as atividades contempladas, excluindo as relacionadas ao ensino e pesquisa já previstas na função do professor.

O reitor também ressaltou que, caso a gratificação faça o salário ultrapassar o teto constitucional de cerca de R$ 46 mil, o benefício será proporcionalmente reduzido.

Para implementar a GACE, a universidade precisará alterar uma resolução interna que atualmente não permite remunerações eventuais, sujeito à aprovação do conselho universitário.

Recuperação e valorização dos docentes

Nos últimos anos, a USP enfrentou uma crise que resultou na saída de cerca de 800 professores entre 2014 e 2023, período marcado por dificuldades financeiras e restrições a novas contratações, agravadas pela pandemia.

Naquele período, a universidade priorizou professores temporários, com contratos curtos, e enfrentou desafios orçamentários, comprometendo mais de 106% do orçamento com a folha de pagamento em 2014. Porém, desde 2017 houve melhora financeira e um novo ciclo de contratações foi iniciado, com a incorporação de 900 novos docentes até hoje, respaldado por um fundo de reserva que atualmente soma R$ 1,17 bilhão.

O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), que representa os servidores técnico-administrativos, criticou a medida da reitoria, destacando que não contempla melhorias para sua categoria, que reivindica reajuste fixo de R$ 1.200.

Aluisio Segurado informou que a universidade anunciará em breve propostas específicas para valorização da carreira dos servidores técnico-administrativos.

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