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Vacina mais completa contra HPV pode chegar ao SUS, diz Padilha

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O Ministério da Saúde planeja incluir no Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina nonavalente contra o HPV, que é o vírus principal relacionado ao câncer do colo do útero, informou o ministro Alexandre Padilha. Atualmente, o SUS oferece a vacina quadrivalente, que protege contra quatro tipos do vírus: 6, 11, 16 e 18. Os tipos 6 e 11 causam verrugas genitais, enquanto os 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero no Brasil.

A vacina nonavalente, já disponível apenas no setor privado, é uma versão mais avançada que, além dos quatro tipos da vacina oferecida pelo SUS, protege contra os tipos 31, 33, 45, 52 e 58, ampliando a proteção para cerca de 90% dos casos de câncer do colo do útero.

No SUS, a vacina quadrivalente está disponível para crianças e adolescentes entre 9 e 19 anos, preferencialmente antes do início da vida sexual, quando o imunizante é mais eficaz. Também podem ser vacinados gratuitamente adultos até 45 anos que fazem parte de determinados grupos de risco, incluindo:

  • Mulheres e homens vivendo com HIV;
  • Pessoas transplantadas de órgãos ou de medula óssea;
  • Pacientes em tratamento contra o câncer;
  • Vítimas de abuso sexual não previamente vacinadas;
  • Usuários do tratamento preventivo PrEP;
  • Pessoas com papilomatose respiratória recorrente a partir de 2 anos.

No setor privado, a vacina está disponível para pessoas entre 9 e 45 anos, com custo médio de R$ 800 por dose.

O anúncio foi feito por Alexandre Padilha em um evento que também apresentou investimentos para o Instituto Butantan, que vai receber cerca de R$ 495,9 milhões para construir uma fábrica de vacinas contra o HPV. O governo federal investirá cerca de R$ 1,4 bilhão por meio do Novo PAC, e o Butantan aplicará outros R$ 400 milhões. A nova planta industrial permitirá não só aumentar a produção da vacina quadrivalente, como também avançar tecnologicamente para a produção da vacina nonavalente, seguindo as práticas de países como a Austrália, que tem praticamente eliminado o câncer do colo do útero com essa vacina, afirmou o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás.

Segundo Padilha, o Ministério da Saúde tem total interesse em produzir a vacina nonavalente no Butantan e implantá-la rapidamente no SUS.

HPV e câncer

O HPV está relacionado a um dos tipos de câncer que mais causam mortes entre mulheres no Brasil, o câncer do colo do útero, com cerca de 17 mil novos casos e 7,2 mil óbitos anuais.

Entretanto, este câncer é amplamente prevenível. Como a infecção pelo vírus é a principal causa da doença, a vacinação é a principal estratégia para prevenir esses casos, podendo até erradicá-los, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O HPV também está ligado a cânceres da vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe. A transmissão ocorre principalmente por contato sexual, mas também pode acontecer pelo contato direto com pele ou mucosas infectadas.

Uma pesquisa nacional divulgada em 2023 pelo Ministério da Saúde revelou que a taxa de infecção genital pelo HPV atinge 54,4% das mulheres sexualmente ativas e 41,6% dos homens. Na maioria das vezes, a infecção é assintomática, mas em alguns casos pode evoluir para lesões precursoras ou câncer.

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