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Valdemar evita postura firme após prisão de Bolsonaro e causa desconforto no PL

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A atitude do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, após a prisão de Jair Bolsonaro tem aumentado o desconforto entre os apoiadores do ex-presidente, um sentimento presente desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) impôs medidas cautelares em 18 de maio.

Inicialmente, Valdemar divulgou uma nota breve e formal: “Estou inconformado. O que mais posso dizer?”. Após críticas internas, ampliou sua manifestação, chamando a decisão judicial de “exagerada”, mas o desgaste no grupo já estava evidente.

Entre os apoiadores de Bolsonaro cresce a sensação de que Valdemar tem evitado assumir publicamente uma defesa contundente do ex-presidente, priorizando a preservação institucional do partido em vez da lealdade ao seu principal nome eleitoral.

Nos bastidores do PL, impera a frustração. Parlamentares e dirigentes classificam a postura de Valdemar como um “abandono” e cobram uma reação mais enérgica. A nota inicial foi vista como insuficiente, com muitos esperando uma entrevista coletiva ou um pronunciamento incisivo. Os aliados percebem que Valdemar evita se expor em meio à crise.

No período recente, Bolsonaro mantinha uma rotina diária na sede do PL em Brasília, mas Valdemar esteve presente poucas vezes, inclusive participando de uma reunião com a bancada para tratar das prioridades legislativas.

A tensão interna intensificou-se quando veio à tona a tentativa de Valdemar de persuadir Bolsonaro a moderar suas críticas ao governo dos Estados Unidos, após a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Esta informação provocou críticas de aliados, que veem a postura do dirigente como uma tentativa de reduzir o conflito, já considerado por eles como perdido.

Para aliviar as pressões, Valdemar expulsou do partido o deputado Antonio Carlos Rodrigues, aliado próximo que havia elogiado publicamente o ministro Alexandre de Moraes e criticado o governo Trump. Essa medida surpreendeu e momentaneamente acalmou as tensões internas.

Embora enfrentando críticas, parte da liderança tenta minimizar o desconforto. O líder do PL na Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), defendeu Valdemar: “Não há parceiro maior de Bolsonaro do que o Valdemar”.

A principal reclamação dos bolsonaristas é a falta de uma resposta unificada e clara do partido diante da crise. Parlamentares e dirigentes esperavam um posicionamento público mais forte, ações jurídicas coordenadas ou estratégias eficazes de comunicação do comando nacional do PL.

No dia da operação da Polícia Federal, Valdemar afirmou que as medidas judiciais eram “desproporcionais”. Após a prisão, seu posicionamento inicial foi reduzido, mas ampliado posteriormente para destacar que a prisão parece ter a intenção de calar uma parte significativa da população que protesta pacificamente, conforme previsto na constituição. Ele também afirmou que a medida aumenta os ânimos e reforça a sensação de exagero nas investigações antes de qualquer condenação.

Essa postura tem causado incômodo dentro do bolsonarismo, que já discute o futuro do PL sem a presença de Bolsonaro em 2026. Avalia-se que, sem o ex-presidente, o partido precisará definir novos rumos e lideranças, processo no qual Valdemar tem papel central, controlando recursos partidários e decisões estratégicas.

Sem Bolsonaro como candidato, o PL terá que escolher seu representante para a disputa presidencial. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é citado como uma possível opção moderada, embora enfrente resistência dos bolsonaristas mais fieis.

À reportagem, Valdemar Costa Neto e o PL não se pronunciaram.

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