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vazamento de vorcaro pode prejudicar provas, diz viana após sala-cofre ser fechada por mendonça
Após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça impedir que membros da CPMI do INSS tenham acesso à sala-cofre contendo itens apreendidos de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), que lidera a comissão responsável por investigar fraudes em aposentadorias, destacou o perigo do vazamento dos dados pessoais do banqueiro por parte de parlamentares, afirmando que isso pode comprometer as investigações.
Viana comentou que a medida de Mendonça é coerente, no entanto, pretende analisar a decisão junto à assessoria jurídica do Senado.
“Se parlamentares divulgam imagens da sala-cofre, algo inadequado, existe o risco de vazamento que inviabilizaria as evidências e fortaleceria a defesa de Vorcaro, excluindo do processo provas que indicam seu envolvimento, por exemplo, com ministros do Supremo”, afirmou Viana em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.
O senador esclareceu que, em seu entendimento, Mendonça deve liberar o acesso assim que forem retiradas as informações pessoais, pois o material inclui vídeos íntimos que, se vazados, prejudicariam a credibilidade da CPMI.
“São muitos vídeos particulares, possivelmente de pessoas contratadas para festas, mas que não têm relação com a investigação. Esse não é um assunto para humor, e eu me sinto bastante contrariado com isso”, ressaltou Viana.
Na decisão, Mendonça justifica a restrição para preservar sigilo sobre a vida pessoal do investigado, tornando temporariamente inacessível o conteúdo coletado pela CPMI até análise minuciosa dos dados, para separar informações pessoais que não devem ser compartilhadas com os parlamentares.
O ministro determinou que a Polícia Federal, em cooperação com a Presidência da CPMI-INSS, realize a retirada dos equipamentos armazenados e faça a separação detalhada dos dados para proteger a privacidade do investigado.
Viana defende afastamento de Moraes
Na mesma entrevista, Viana revelou que as mensagens enviadas por Daniel Vorcaro ao ministro do STF Alexandre de Moraes foram direcionadas a um telefone funcional da Corte. A conversa data de 17 de novembro, data da primeira prisão de Vorcaro, revelada pela colunista Malu Gaspar, do GLOBO.
Segundo o senador, Moraes deveria estar afastado para assegurar isenção nas investigações, algo esperado em qualquer país sério.
“O número mostrado na mensagem é funcional do Supremo e cabe à Corte esclarecer oficialmente quem estava com esse número no momento da mensagem enviada por Vorcaro”, disse Viana no programa Roda Viva.
Embora ainda não tenha enviado pedido formal, o senador afirmou ter confirmado oficialmente que o número pertence ao Supremo.
“Verifiquei oficialmente e é o número funcional do Supremo. Em qualquer país sério, o ministro Alexandre de Moraes estaria afastado até que as investigações sejam concluídas e sua responsabilidade apurada”, completou.
Viana acusou ainda Moraes de usar seu poder ministerial de modo inconstitucional. Ele também citou o ministro Dias Toffoli, dizendo que ambos deveriam estar sob investigação pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
“Se o procurador Paulo Gonet agisse como deve, já teria solicitado investigações contra os ministros Moraes e Toffoli, não por presumir culpa, mas para garantir transparência e que o país saiba o que está acontecendo, evitando encobrir o Supremo”, declarou o senador.
Troca de mensagens e relatoria do caso
Diferente do material entregue à CPMI, o conteúdo obtido pelo GLOBO foi extraído de forma técnica para correlacionar as mensagens e arquivos enviados, constatando que o contato era do ministro Alexandre de Moraes.
Moraes negou ter recebido as mensagens, afirmando que análise do conteúdo extraído do celular de Vorcaro identificou que as mensagens de visualização única de 17 de novembro não correspondem aos seus contatos nos arquivos apreendidos.
Já o ministro Toffoli admitiu participação em negócio ligado ao cunhado de Vorcaro, mas declarou que declarou os valores à Receita Federal e que nunca recebeu qualquer quantia de Vorcaro ou seu cunhado, e chegou a renunciar à relatoria do caso Master sob pressão, assumindo a relatoria André Mendonça.

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