Mundo
Venda suspeita de petróleo antes de fala de Trump gera críticas
Uma movimentação atípica ocorreu no mercado de petróleo poucos minutos antes de um pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na segunda-feira (23). Várias transações financeiras ligadas ao preço do petróleo aconteceram em um curto espaço de tempo, levantando suspeitas de possível uso de informação privilegiada entre operadores e autoridades.
Em um intervalo de dois minutos, por volta das 10h50 GMT (7h50 horário de Brasília), milhares de produtos financeiros relacionados ao petróleo foram negociados, volume muito acima do habitual, que costuma ser apenas algumas centenas.
Simultaneamente, esses investidores também faziam grandes apostas na valorização da Bolsa de Nova York.
Quinze minutos após estas operações, Trump divulgou via sua rede social Truth Social que teve conversas “produtivas” com o Irã, representando uma mudança drástica de tom após a ameaça feita no sábado para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz sob risco de ataques às suas infraestruturas energéticas.
O valor total teórico dessas negociações pode ter alcançado centenas de milhões de dólares, e, segundo cálculos de um operador de mercado para a AFP, os lucros poderiam chegar a dezenas de milhões de dólares devido à queda rápida do preço do petróleo e à valorização da Bolsa logo após o anúncio de Trump.
O analista de petróleo da Strategic Energy & Economic Research, Michael Lynch, afirmou que grandes negociações desse tipo antes de anúncios importantes são incomuns e suscitam suspeitas.
O senador democrata Chris Murphy comentou nas redes sociais qualificando a situação como “corrupção alucinante” e questionou quem poderia estar por trás das transações — se o próprio Trump, familiares ou membros da Casa Branca.
Até o momento, não há provas que liguem Trump às operações. Um porta-voz da Casa Branca declarou que acusações sem fundamento sobre membros do governo são irresponsáveis.
Contexto e antecedentes
Este incidente agrava a confusão, ocorrendo em meio a outros casos com características semelhantes nos últimos meses:
- Em janeiro, um usuário da plataforma de apostas Polymarket ganhou mais de 400 mil dólares apostando na queda do presidente venezuelano Nicolás Maduro horas antes de sua captura.
- Algumas semanas atrás, seis contas na mesma plataforma lucraram 1,2 milhão de dólares após apostarem em um ataque americano contra o Irã no dia 28 de fevereiro, data do início das ofensivas militares.
Essas operações financeiras levantam dúvidas sobre a atuação ética de governos e pessoas que se beneficiam pessoalmente por meio de informações privilegiadas, segundo Jordan Libowitz, vice-presidente do observatório ético Crew.
Desde o começo do segundo mandato de Trump, parlamentares democratas e ONGs vêm acusando o presidente de possíveis conflitos de interesse. A família de Trump teria ganhos milionários relacionados ao mercado de criptomoedas, cuja regulamentação foi flexibilizada sob sua administração.
Os reguladores dos mercados financeiros, como CME, CFTC e SEC, não comentaram sobre as transações suspeitas, segundo informações da AFP.
Mark Neuman, gestor de investimentos da Hero Asset Management, ressaltou que as plataformas de negociação devem manter registros transparentes das transações.
O candidato republicano ao Senado estadual de Minnesota, Jimmy Munson, pediu investigação rigorosa para identificar os responsáveis por possíveis usos ilegais de informação privilegiada.
Neuman concluiu que a falta de regulação rigorosa compromete a integridade dos mercados financeiros, e lamentou a situação atual.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login