Economia
Vendas no varejo devem crescer até maio, diz IDV
O Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo nominal (IAV-IDV) prevê crescimento de 7,3% em março, 2,7% em abril e 2,3% em maio, comparado aos mesmos meses do ano anterior.
Em fevereiro, houve aumento de 2,3%. Ajustado pelo IPCA, o índice mostra alta de 3,8% em março e queda de 0,8% em abril e 1,2% em maio. Em fevereiro, a queda foi de 1,5% em relação a fevereiro de 2025. O levantamento considera o peso das atividades no volume total de vendas do varejo, conforme dados do IBGE.
“O resultado de fevereiro foi influenciado pela intenção de consumo das famílias, medida pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), que cresceu 0,6% em relação a janeiro, alcançando o maior nível desde maio de 2024. A expectativa de redução da Selic em 2026 pode ser impactada pelos conflitos no Oriente Médio, que tendem a elevar custos globais e pressionar preços na economia. Isso pode afetar negativamente o consumo tanto pela inflação quanto por uma redução menor da taxa de juros que o esperado”, explica o presidente do IDV, Jorge Gonçalves Filho.
O cenário macroeconômico para 2026 aponta para uma atividade econômica moderada, com crescimento do PIB projetado em 1,83%. O mercado de trabalho deve desacelerar gradualmente, refletindo uma atividade econômica menos dinâmica, mas sem quedas bruscas na ocupação.
Do ponto de vista da inflação, o IPCA deve registrar alta acumulada de 4,10% em 2026, refletindo os efeitos retardados das medidas monetárias apertadas adotadas anteriormente e as eventuais pressões negativas provocadas por conflitos geopolíticos.
“Nesse contexto, as expectativas indicam que a taxa Selic deve chegar a cerca de 12,25% ao final de 2026. Este avanço gradual na política monetária é compatível com crescimento moderado, inflação controlada dentro da meta e um mercado de trabalho em ajuste tolerável, com o colegiado atento a possíveis impactos negativos do ambiente global”, comenta Jorge Gonçalves Filho.
As projeções baseiam-se nos dados individuais fornecidos pelas empresas associadas ao IDV, que representam cerca de 20% das vendas totais do varejo brasileiro e abrangem todos os setores do varejo.
IAV Setorial
Em fevereiro, quase todos os setores analisados registraram aumento nas vendas, com exceção do setor de materiais de construção, que apresentou queda.
No setor de hipermercados e supermercados, fevereiro registrou alta de 1,9% em relação a fevereiro de 2025, abaixo da previsão anterior. As projeções para março, abril e maio são de crescimento de 4,7%, 1,4% e 3,3%, respectivamente.
O setor de atacado fechou fevereiro com alta de 7,8%, superando a previsão anterior. Para março e abril, espera-se crescimento de 3,0% e 3,4%, respectivamente, e estabilidade em maio.
O setor de materiais de construção teve queda de 2,5% em fevereiro, pior que o estimado anteriormente, com projeções de alta de 2,8%, 3,1% e 0,6% para os três meses seguintes.
Outros artigos de uso pessoal e doméstico cresceram 4,7% em fevereiro, acima do previsto, com projeções positivas para os meses seguintes: 9,9%, 10,2% e 4,4%.
Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos tiveram aumento de 10,9% em fevereiro, abaixo da expectativa, com projeções de 15,2%, 11,7% e 9,2% para março, abril e maio.
Setor de móveis e eletrodomésticos apresentou queda de 4,9% em fevereiro, melhor do que o previsto. Para os próximos meses, espera-se crescimento de 3,1%, 3,6% e 3,8%, respectivamente.
O setor de tecidos, vestuário e calçados cresceu 3,4% em fevereiro, abaixo da previsão anterior, com projeções de alta de 6,3%, 5,1% e 6,3% para os meses seguintes.


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