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Venezuela libera 400 presos, mas oposição questiona números
Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, anunciou na noite de terça-feira (13) a libertação de 400 pessoas que o governo considera não serem presas políticas, contrariando a oposição que contesta esses números.
Deste total, 160 foram libertados em 23 de dezembro de 2024. As liberações ocorreram após os eventos recentes de invasão militar dos Estados Unidos ao país e o sequestro do presidente Nicolás Maduro.
Organizações que acompanham os presos políticos exigem a divulgação da lista oficial com os nomes, pois duvidam da precisão dos dados divulgados pelo governo. A iniciativa visa amenizar a crise política no país.
Segundo Jorge Rodríguez, a libertação foi uma decisão consciente para soltar pessoas envolvidas em crimes contra a lei e a Constituição, incluindo aqueles que incentivaram a invasão militar e agressões contra a Venezuela.
O parlamentar também respondeu às críticas do deputado opositor Luís Florido, ressaltando que a ação busca promover a paz social e a unidade nacional, fazendo parte de um processo amplo de soltura de detentos.
Jorge Rodríguez comprometeu-se a tornar pública a lista das pessoas libertadas, afirmando que mais solturas seguirão acontecendo por iniciativa do governo.
Em contrapartida, Luís Florido aguarda divulgação da lista e alerta para a discrepância entre o número divulgado pelo governo e dados de organizações sociais, que afirmam que ainda há muitos presos aguardando soltura.
Dentre os libertados está o ex-candidato à presidência da Venezuela Enrique Márquez, que foi acusado de tentativa de golpe em meio às disputas pela reeleição de Nicolás Maduro, em julho de 2024.
Há divergências sobre os números reais: o grupo não governamental Foro Penal afirma que apenas 116 pessoas foram soltas, representando cerca de 10% do total aproximado de 800 presos políticos estimados no país.
Alfredo Romero, presidente do Foro Penal, declarou à France 24 que o governo não publica as listas oficiais e inclui pessoas que não são consideradas presas políticas, o que dificulta a verificação dos números.
O governo, por sua vez, nega a existência de presos políticos, justificando as detenções por crimes como insurreição, golpes de Estado e encaminhamentos de pedidos de intervenção militar externa.
O Observatório Venezuelano de Prisioneiros confirmou a libertação de 80 pessoas até a manhã de quarta-feira (14), incluindo 66 venezuelanos e 14 estrangeiros, porém denuncia que as liberações ocorrem de forma muito lenta e opaca, afetando diretamente as famílias dos detentos que enfrentam dificuldades para aguardar fora das prisões.
A falta de transparência quanto a esses processos persiste como uma política do Estado, conforme relata a organização.

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