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Venezuela libera presos políticos, incluindo estrangeiros

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Um número considerável de indivíduos detidos por motivos políticos, inclusive estrangeiros, foi libertado na Venezuela, conforme anunciado nesta quinta-feira, 8, pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. Ele não forneceu informações detalhadas nem especificou quantas pessoas foram libertadas.

A organização não governamental Fórum Penal registra 806 presos por razões políticas no país, dos quais 175 são militares.

“Para promover a convivência pacífica, o governo bolivariano, junto às instituições do Estado, decidiu soltar uma quantidade significativa de cidadãos venezuelanos e estrangeiros”, declarou Rodríguez.

“Essa liberação está acontecendo neste momento”, afirmou à imprensa no Palácio Legislativo.

O líder parlamentar expressou gratidão ao ex-presidente do governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao Catar, que atenderam rapidamente ao pedido da presidente interina.

“Trata-se de uma ação unilateral do governo bolivariano”, ressaltou Rodríguez.

Apesar do anúncio, pelo menos dois jornalistas estrangeiros foram deportados da Venezuela recentemente. Mesmo aqueles com visto permanente de imprensa estão enfrentando impedimentos para entrar no país.

Nesta quarta-feira, a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou que a transição política só será possível com a libertação total dos presos políticos.

“Não pode haver transição enquanto houver presos políticos. Essa é a primeira medida que precisa ser tomada nas próximas horas”, declarou. “A base de sustentação de Maduro e sua estrutura frágil era o medo. Eliminando o terror, nada restará.”

María Corina acrescentou que Edmundo González Urrutia venceu as eleições presidenciais do ano passado com quase 70% dos votos, sendo, portanto, o presidente eleito e merecendo que seu mandato seja respeitado.

Ela evitou comentar sobre a posição dos Estados Unidos, mas considerou que a operação americana no território venezuelano tinha o propósito de salvar vidas. “O direito internacional existe para proteger as pessoas, não aos que detêm armas e saqueiam recursos”, disse.

A opositora não revelou um cronograma específico para a transição, mas pediu cautela. “Já ouvi muitas datas. Vamos com calma, um dia de cada vez”, comentou. Segundo ela, antes de eleições livres, é essencial assegurar a restauração das liberdades.

María Corina acredita que a Venezuela poderá se tornar um centro de energia e tecnologia para as Américas. “Nada nem ninguém impedirá que a Venezuela seja livre. Este processo é irreversível”, acrescentou.

Após a detenção de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que não apoiaria María Corina por considerá-la uma líder difícil para o país.

“Ela não tem apoio nem respeito dentro do país. É uma pessoa simpática, mas não tem respeito”, disse. Na ocasião, o republicano defendeu que a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, assumisse a liderança.

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