Mundo
Vice-presidente da Venezuela afirma que país não será colonizado pelos Estados Unidos
Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela, fez um pronunciamento neste sábado (3) solicitando a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro, alegadamente capturado por forças militares dos Estados Unidos após ataques ao país.
Rodríguez declarou que a Venezuela não se tornará uma colônia novamente e resistirá à tentativa de controle do governo dos EUA. Segundo ela, o único presidente legítimo é Nicolás Maduro.
“Exigimos a imediata libertação do presidente Nicolás Maduro, o único líder da Venezuela, e de sua esposa, Cilia Flores. O povo venezuelano tem a certeza de que jamais será escravo nem colônia de qualquer império”, afirmou Delcy em transmissão nacional.
O discurso aconteceu logo após uma coletiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declarou que Washington assumiria o controle do país sul-americano até que se estabelecesse uma “transição segura”, sugerindo que empresas americanas explorariam o petróleo venezuelano.
A vice-presidente esteve no Conselho de Defesa da Nação, acompanhada pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e a presidente do Tribunal Superior de Justiça (TSJ), Caryslia Rodríguez, entre outras autoridades.
Delcy afirmou que Maduro foi “sequestrado” por volta da 1h58 da madrugada deste sábado, classificando a ação como uma tentativa dos EUA de controlar os recursos naturais da Venezuela utilizando pretextos falsos. Ela disse ter ativado, por decreto assinado por Maduro, todos os órgãos do Estado para defender o território contra a invasão.
“Todo o poder nacional da Venezuela foi mobilizado. É nosso dever sagrado proteger nossa independência, soberania e integridade territorial, brutalmente atacadas nesta manhã”, declarou a vice-presidente.
Delcy convocou todas as instituições e organizações venezuelanas a manterem a calma e se unirem para enfrentar a situação. “Que esta união entre forças policiais, militares e populares seja um só corpo para defender nossa soberania e independência nacional”, disse.
A vice-presidente agradeceu o apoio de nações em todo o mundo e destacou que, embora hoje tenha sido a Venezuela atacada, amanhã pode ser qualquer outro país.
O ataque dos EUA contra a Venezuela simboliza um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última invasão americana em um país latino-americano aconteceu em 1989, no Panamá, quando os militares capturaram o então presidente Manuel Noriega, acusado de narcotráfico.
Assim como com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel de drogas venezuelano chamado De Los Soles, sem apresentar evidências concretas. Especialistas internacionais em tráfico de drogas questionam a existência desse cartel.
A administração Donald Trump ofereceu uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à captura de Maduro.
Para muitos críticos, essa ação representa uma manobra geopolítica dos Estados Unidos para afastar a Venezuela de seus aliados globais, como China e Rússia, e para exercer maior controle sobre o petróleo venezuelano, que possui as maiores reservas de óleo comprovadas do mundo.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login