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Vida e atividades dos militares presos de alta patente

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Os militares de alta patente condenados no processo da trama golpista estão aos poucos se adaptando à rotina do cárcere. Para reduzir a pena, solicitaram realizar trabalhos internos nos batalhões e participar de cursos à distância (EAD). Sob vigilância dos colegas, nas instalações das Forças, eles tentam manter a resiliência por meio de exercícios físicos diurnos e banhos de sol regulares. Também recebem semanalmente visitas de amigos, psiquiatras, capelães militares e familiares.

Acostumados a comandar e serem imediatamente obedecidos, os quatro generais e um almirante tiveram de se acostumar a pedir autorização judicial para tudo que foge da rotina do regime fechado, como o uso de caneta e lápis para escrever ou fones de ouvido e microfone para visitas por videoconferência.

O almirante Almir Garnier, ex-chefe da Marinha no governo Bolsonaro, planeja trabalhar seis horas diárias analisando modelos de Inteligência Artificial (IA) e sistemas de simulação da Marinha para aprimorar as capacidades defensivas do Brasil diante do cenário geopolítico mutante, conforme seu plano de trabalho.

Ele pretende aproveitar sua condição de oficial general e seu perfil técnico, disciplinado e estratégico para realizar análises críticas dos processos de comando e controle da Marinha, também buscando diminuir sua pena.

Para realizar o trabalho, a Marinha garantiu que o notebook utilizado por Garnier será conectado à “Rede de Comunicações Integrada da Marinha”, permitindo acesso a arquivos digitais, mas não à internet. O plano foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) recentemente, após Garnier receber a visita do seu sucessor no cargo, o almirante Marcos Sampaio Olsen, e do vice-almirante Rogério Rodrigues, responsável pela custódia do almirante.

O ministro do STF Alexandre de Moraes ainda não decidiu sobre a proposta de trabalho, mas já autorizou Garnier a estudar Filosofia ou Letras, com ênfase em Francês ou Literatura, via ensino à distância a pedido da defesa.

O general Mário Fernandes também aguarda o aval do ministro para iniciar trabalho de revisão de material doutrinário e literário do Exército, prestando serviços intelectuais à Diretoria de Patrimônio Histórico e Cultural e ao Centro de Doutrina do Exército. Fernandes é acusado pela Procuradoria Geral da República como um dos mentores intelectuais do plano golpista, e está preso preventivamente, diferente dos demais que cumprem pena.

O ex-ministro da Defesa e ex-chefe do Exército, general Paulo Sérgio, foi autorizado a se matricular em curso de administração hospitalar, legislação e auditoria. Paulo Sérgio também é o que recebeu mais visitas presenciais e virtuais de familiares e amigos, totalizando quatorze pessoas, incluindo parentes de várias regiões do Brasil e dos Estados Unidos.

Ele foi o único a ter uma visita recusada; o general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva teve sua visita vetada pelo ministro do STF devido a declarações anteriores que podem configurar crime de incitação, conforme o artigo 286 do Código Penal.

Preso desde dezembro de 2024, o ex-ministro da Defesa e da Casa Civil Braga Netto é o general do núcleo central do plano golpista mais antigo atrás das grades. Dedica-se a escrever sua biografia sobre o tempo no Exército, enquanto recebe visitas de amigos generais e coronéis. Suas instalações ficam próximas a um local militar onde há um quadro que o mostra liderando a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH).

Diferente do ex-presidente Jair Bolsonaro, que passou por unidades policiais e militares diferentes, as defesas destes militares presos não relatam queixas sobre as condições das unidades militares onde estão alojados, nem problemas de saúde, apesar das visitas constantes de médicos militares. A exceção foi o major Rafael Martins, que recentemente solicitou autorização para tratamento odontológico fora do batalhão de Niterói devido ao descolamento de uma coroa dentária.

As visitas em geral não comentam sobre os encontros com os militares presos, exceto o amigo do general Mário Fernandes, David Ronco, que tem pedido pressão dos colegas militares para que o Alto Comando do Exército se posicione e tome atitudes em relação à prisão dos oficiais. Ronco chegou a fazer um apelo público nas redes sociais no ano anterior e visitou Fernandes recentemente na cela em Brasília.

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