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Violência contra mulheres viraliza; entenda o problema

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Nas redes sociais, está circulando um vídeo em que homens fingem agredir mulheres com socos, chutes e facadas caso elas rejeitem suas investidas. Esse tipo de conteúdo ganhou popularidade justamente em um momento em que cresce a preocupação com o aumento da violência contra mulheres no Brasil.

Duda Salabert, deputada federal (PDT-MG), usou suas redes para alertar sobre essa questão e apresentou denúncia ao Ministério Público.

“Como as redes sociais no Brasil não possuem regulamentação, muitos alegam que isso é liberdade ou até brincadeira. É um absurdo, por isso acionei o Ministério Público para investigar perfis envolvidos na incitação ao ódio contra mulheres”, declarou a parlamentar.

Segundo Duda, tais conteúdos evidenciam a urgência de uma regulamentação das redes sociais. Ela também defende a aprovação de um projeto de lei de sua autoria que considera crime a misoginia coordenada e coletiva praticada online.

A advogada criminalista Pamela Villar explica que postar esse tipo de vídeo pode ser considerado crime.

“Se alguém, motivado por esses vídeos, agredir uma mulher por ela ter recusado um relacionamento, ambos podem responder criminalmente por lesão corporal. Se várias pessoas agirem assim seguindo o roteiro do vídeo, quem o publicou pode ser responsabilizado criminalmente por cada agressão ocorrida, o que pode resultar em penas severas”, afirma.

Machosfera e Misoginia

O termo misoginia significa ódio às mulheres. Grupos da chamada machosfera, comunidades masculinas online, têm difundido esse tipo de discurso e comportamentos agressivos contra mulheres.

Dentro desse universo, destacam-se os red pills, que acreditam que os homens são oprimidos pelas mulheres e pela sociedade atual, e os incels (celibatários involuntários), homens que desejam relacionamento mas atribuem a culpa às mulheres ou à sociedade por sua situação.

Diante do crescimento dessas ideias, há movimentos que defendem que a misoginia seja considerada crime. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou em outubro do ano passado um projeto que prevê de 2 a 5 anos de prisão para esses casos.

Responsabilidade das Redes Sociais

Responsabilizar as plataformas digitais permanece um desafio. Atualmente, além de casos de crimes sexuais devidamente reportados, não há obrigatoriedade para retirada imediata de vídeos como os mencionados.

Pamela Villar ressalta que a responsabilização das empresas é possível em teoria, porém difícil na prática:

“Existe a possibilidade, ainda que remota, de responsabilizar penalmente as plataformas por omissão, quando deixam de agir para retirar conteúdo nocivo, mesmo tendo ferramentas para isso”.

Dados Alarmantes

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil registra cerca de quatro feminicídios por dia, totalizando 1.547 casos em 2025. Esse número tem aumentado desde 2015.

Em janeiro deste ano, ocorreram 131 feminicídios, quase 5% a mais que no mesmo período do ano anterior. Também foram registrados cerca de 5.200 estupros, o que equivale a aproximadamente 168 por dia.

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