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Visita de Lula a Trump pode acontecer apenas em julho

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A viagem planejada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos para encontrar Donald Trump pode levar mais tempo do que o esperado, sendo considerada agora para ocorrer até julho. As duas administrações tentaram marcar o encontro inicialmente para o início de março e depois para a segunda quinzena do mês, mas nunca houve uma confirmação oficial da data.

Sem uma definição clara ou sinais recentes vindos da Casa Branca, um representante do governo brasileiro afirma que a visita a Washington não está descartada, mas admite que a janela para o encontro foi ampliada para o final do primeiro semestre. Os contatos entre as presidências e suas equipes diplomáticas continuam ativos.

Para essa fonte governamental, a extensão do conflito no Irã, os desafios enfrentados pelos EUA em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e o aumento dos custos econômicos foram as principais causas para o adiamento da viagem.

O prolongamento da guerra no Irã já interferia no planejamento inicial. Agora, do ponto de vista do Planalto, o contexto político atual não é propício, e a Casa Branca provavelmente não irá disponibilizar datas para o encontro enquanto a situação no Oriente Médio não estiver resolvida.

O governo de Lula observou que outro compromisso presidencial de Trump também foi adiado em cerca de um mês e meio. A viagem americana a Pequim, para se reunir com o presidente chinês Xi Jinping, inicialmente agendada para o final de março, foi remarcada para meados de maio e confirmada pelas autoridades chinesas.

Desde o telefonema entre Lula e Trump em janeiro, que definiu março como prazo para a visita, o presidente brasileiro tem feito várias críticas públicas ao americano, principalmente relacionadas à guerra no Oriente Médio.

Além disso, outras decisões recentes afetaram a relação bilateral. Uma delas foi a suspensão de tarifas pela Suprema Corte americana. Paralelamente, a administração Trump abriu novas investigações sobre práticas comerciais, incluindo algumas que envolvem o Brasil.

Recentemente, Lula ordenou a revogação do visto de um funcionário americano ligado à família Bolsonaro, que planejava participar de um fórum sobre terras raras e visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.

Nos bastidores, as negociações comerciais e econômicas também não avançaram. O Brasil recusou em fevereiro participar de uma iniciativa americana para explorar e criar reservas de minerais críticos e terras raras, excluindo a China. Existem também discussões sobre regulação de grandes empresas de tecnologia e cooperação no combate ao crime organizado.

O governo brasileiro não descarta que o Departamento de Estado americano decida designar unilateralmente como organizações terroristas as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), ação contra a qual o Brasil se posiciona. Indicativos do governo Trump sugerem que tal decisão foi adiada.

Representantes do mercado financeiro expressaram preocupação ao governo brasileiro sobre as sanções, temendo que elas possam afetar a operação de bancos nacionais por onde recursos ilegais, de origem desconhecida, possam ter transitado.

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