Brasil
Vítima de injúria racial perdoa, mas quer justiça
Beatriz da Silva Pereira, operadora de caixa de 43 anos, recorda com dificuldade o que aconteceu em 14 de janeiro, quando foi alvo de injúria racial pela turista argentina Agostina Páez. Na ocasião, na Zona Sul do Rio, Agostina usou palavras racistas e imitou macaco na frente de funcionários de um bar em Ipanema.
Na audiência ocorrida na 37ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, Beatriz relata que perdoou a agressora, mas segue buscando justiça. O julgamento continua em andamento.
A defesa de Agostina informou que o Ministério Público aceitou revogar as medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica e passaporte retido, mediante reparação por danos morais. Ela deve depositar metade do valor antes de deixar o Brasil e cumprir serviços sociais na Argentina.
O valor da indenização ainda será decidido, mas o MP sugeriu cerca de 120 salários mínimos, aproximadamente R$ 190 mil. Em entrevista, Agostina demonstrou arrependimento e pediu desculpas às vítimas.
Beatriz confirmou o pedido de perdão, mas afirmou que o episódio ainda a afeta profundamente e não quer que o caso fique sem consequências. Ela relembra que a agressora estava visivelmente alterada por discordar do valor da conta antes de iniciar as ofensas.
Além de Beatriz, um garçom também foi alvo de ataques racistas, o que levou a filmar Agostina. Mesmo após o ocorrido, Beatriz precisou voltar ao trabalho enfrentando medo e angústia.
Apesar do perdão inicial, Beatriz espera que a justiça atua com rigor diante da gravidade do racismo:
“Se eu cometer algo ilegal, pagaria caro por isso. Ela, que cometeu um ato tão grave e saiu do país, não pode simplesmente ficar impune.”
Durante uma coletiva no consulado argentino, a turista declarou arrependimento por sua atitude, frisando que jamais teve intenção de discriminar, mesmo que haja argumentação de que foi reação a uma ofensa.
O Tribunal de Justiça esclareceu que as medidas restritivas permanecerão até que o relatório final do assistente de acusação seja apresentado. Até o momento, a audiência contou com depoimentos e o interrogatório da ré.
A Promotoria ressaltou que o crime de racismo não admite fiança e condicionou a revogação das medidas ao pagamento de pelo menos metade do valor dos danos morais propostos, reafirmando a necessidade da reparação mínima definida em sentença.


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