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Volta de Bolsonaro para prisão domiciliar gera preocupação em vizinhos
Jair Bolsonaro, ex-presidente, recebeu alta hospitalar nesta sexta-feira, após duas semanas internado no hospital DF Star, em Brasília, tratando broncopneumonia bacteriana causada por broncoaspiração, e iniciou o cumprimento da prisão domiciliar por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
No condomínio onde reside, o retorno do ex-presidente tem causado inquietação entre os moradores, que estão apreensivos com possíveis mudanças na rotina devido ao aumento da segurança, maior circulação de agentes e o consequente aumento do barulho e do trânsito nas proximidades.
A notícia da prisão domiciliar começou a se espalhar entre os moradores antes mesmo da alta hospitalar. Em um grupo do condomínio Solar de Brasília, foi compartilhada uma reportagem sobre a decisão na quinta-feira, gerando uma série de mensagens acerca dos impactos da presença do ex-presidente no local.
Os moradores manifestam maior preocupação não com a transferência em si, mas com a rotina que virá a seguir. Um dos residentes comentou ao GLOBO que a proibição de manifestações em um raio de 1 km ao redor da residência pode ajudar a limitar a presença de apoiadores e que, com essa medida, a situação está relativamente tranquila. Ainda assim, ele ressaltou que o principal receio é evitar aglomerações e acampamentos em frente ao imóvel.
Outro morador observou, sem preconceitos contra Bolsonaro, que a presença do ex-presidente geralmente causa maior movimentação, incluindo mais barulho e trânsito ao longo do dia, com base em experiências anteriores.
Saúde do ex-presidente
De acordo com o médico Brasil Ramos Caiado, da equipe de Bolsonaro, os últimos dois dias de evolução clínica foram tranquilos e sem intercorrências.
“Bolsonaro acaba de ter alta hospitalar, conforme previsto há dois dias. A evolução foi tranquila e sem complicações. A medicação foi transferida para via oral para que ele continue o tratamento em casa”, explicou o médico.
Bolsonaro saiu do hospital acompanhado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e tem previsão de realizar uma cirurgia para correção de uma lesão no ombro até o final de abril.
“Nas últimas 48 horas focamos no tratamento do ombro. Prevemos a cirurgia dentro de quatro semanas, após o período de recuperação da pneumonia. Estimamos que o procedimento de artroscopia do ombro direito ocorra no final de abril”, detalhou o médico.
Essa conjuntura motivou a decisão de Moraes de conceder a prisão domiciliar por 90 dias, visando garantir um ambiente controlado para a recuperação, evitando riscos de infecção e reduzindo a circulação de pessoas no período.
Comboio e trajeto
O transporte de Bolsonaro do hospital até a residência foi realizado com segurança reforçada, envolvendo batedores da Polícia Militar do Distrito Federal para liberar o caminho e bloquear cruzamentos, além de comboio fechado composto pelo veículo que transportava o ex-presidente cercado por carros de escolta.
A custódia direta ficará sob responsabilidade da Polícia Penal do Distrito Federal, com controle de trânsito em pontos estratégicos, interdições temporárias e restrição de aproximação de terceiros para evitar aglomerações ou atos políticos durante a transferência.
Segurança no condomínio
A maior apreensão dos moradores está na rotina da residência. Segundo decisão judicial, a Polícia Militar do Distrito Federal terá a responsabilidade pela fiscalização da prisão domiciliar, com a obrigação de enviar relatórios semanais ao Supremo Tribunal Federal e comunicar imediatamente qualquer violação das condições.
O esquema de segurança inclui monitoramento presencial da área externa e rigoroso controle de acesso. Todos os veículos que entrarem ou saírem serão vistoriados, com inspeção do porta-malas e identificação dos ocupantes.
Visitantes autorizados passarão por checagem prévia e terão seus celulares ou outros aparelhos eletrônicos recolhidos pelos agentes durante as visitas.
Está proibida a realização de manifestações, acampamentos ou qualquer tipo de aglomeração em um raio de 1 km ao redor da residência, para evitar a criação de um novo ponto de mobilização política.
O acesso ao interior da residência está restrito a familiares, advogados e equipe médica, conforme regras da decisão judicial. Michelle Bolsonaro, a filha Laura e a enteada Letícia têm livre acesso, pois residem no local. Os filhos Carlos e Jair Renan poderão visitar o ex-presidente às quartas e sábados, enquanto os advogados, incluindo Flávio Bolsonaro, terão acesso diário.
Nos bastidores do condomínio, a avaliação é de que, mesmo com restrições a atos de protesto e acampamentos, a presença constante de agentes, o controle de veículos e a expectativa de maior circulação no entorno deverão modificar a dinâmica da vizinhança nos próximos dias.


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