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Economia

YouTube e Instagram podem ser julgados por criar vício em crianças

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Um júri dos Estados Unidos iniciará nesta segunda-feira a análise para decidir se as plataformas Instagram e YouTube foram intencionalmente desenvolvidas para criar dependência em crianças, em um processo sem precedentes que envolve o nome do Mark Zuckerberg. O julgamento, que ocorrerá no Tribunal Superior de Los Angeles, pode abrir caminho para uma série de ações judiciais no país contra as empresas, que são acusadas de incentivar o vício para aumentar seus ganhos com publicidade.

A escolha dos 12 jurados, finalizada na última sexta-feira após um cuidadoso processo de seleção que durou mais de uma semana, foi marcada por constantes menções a Zuckerberg, fundador da Meta, empresa dona do Instagram e Facebook. Os representantes da Meta trabalharam durante seis dias em tribunal para eliminar jurados considerados muito contrários às redes sociais envolvidas.

Por outro lado, os advogados dos autores do processo buscaram retirar da seleção pessoas, principalmente homens, que acreditavam que os problemas de saúde mental dos jovens eram decorrentes mais de questões familiares do que das próprias plataformas. As empresas réus são a Alphabet, controladora do YouTube, e a Meta, responsável pelo Instagram.

Embora o TikTok e o Snapchat também tenham sido alvo de processos, ambas as redes chegaram recentemente a acordos financeiros não divulgados. O foco do julgamento está nas acusações feitas por uma jovem de 20 anos, identificada como Kelly G.M., que sofreu sérios impactos mentais devido ao vício em redes sociais desde a infância.

A autora, que utiliza o YouTube desde os seis anos e criou seu perfil no Instagram aos 11, alega que essas plataformas foram desenhadas para serem viciantes, prejudicando assim sua saúde mental.

Zuckerberg e o julgamento

A seleção do júri, que envolveu mais de 150 pessoas, foi marcada pelo destaque frequente ao presidente da Meta.

“Não tenho preconceito contra a autora, mas, pelas ações concretas de Mark Zuckerberg, acredito que a ré começa em desvantagem”, afirmou uma jovem jurada.

Muitos jurados potenciais criticaram os primeiros dias do Facebook, criado originalmente como uma plataforma para universitários avaliarem a aparência de estudantes mulheres, e mencionaram o escândalo de privacidade da Cambridge Analytica em 2018. Também expressaram dúvida sobre conseguirem ouvir o depoimento do bilionário, marcado para as próximas semanas, de forma imparcial.

A advogada da Meta, Phyllis Jones, levantou diversas objeções contra esses jurados, ressaltando a importância de um julgamento justo e imparcial, argumentando que ambos os lados devem analisar as provas objetivamente. Advogados da parte autora questionaram outros jurados na direção contrária.

“Gosto dele”, declarou um admirador de Zuckerberg. “Gostaria de possuir ações da Meta.”

Empresas distintas

Os advogados da Alphabet se empenharam em destacar que o YouTube é uma empresa muito diferente da Meta.

“Todos compreendem que YouTube e Meta são empresas distintas? Todos sabem que Zuckerberg não está à frente do YouTube?”, indagou Luis Li, defensor da plataforma de vídeos do Google.

Um homem comentou a capacidade do YouTube de proporcionar “picos rápidos de dopamina” aos usuários por meio do recurso Shorts. Ele também comentou sobre sua sobrinha, adepta do TikTok, plataforma que popularizou a rolagem infinita de vídeos curtos. O processo não abordará o conteúdo, área protegida pela legislação americana, mas focará no design dos algoritmos e na personalização dos recursos.

Meta e YouTube negam firmemente as acusações e na última sexta-feira tentaram sem sucesso que o juiz rejeitasse as alegações que comparam suas plataformas a produtos viciantes como o tabaco.

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