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Motoboys de São Paulo estão entre os cinco brasileiros extraditados pela Argentina
A Justiça da Argentina determinou a extradição de cinco brasileiros condenados por atos antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, após um pedido do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Entre os presos estão os motoboys Wellington Luiz Firmino e Rodrigo de Freitas Moro Ramalho, ambos do interior de São Paulo.
Esses brasileiros foram capturados no final de 2024 pela polícia da Argentina, para onde haviam fugido durante o andamento do processo no STF.
Quem são
Wellington Luiz Firmino, de 35 anos, foi detido na província de Jujuy, no noroeste argentino, em 19 de novembro, enquanto tentava fugir de moto para o Chile. Firmino foi condenado a 17 anos de prisão pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, associação criminosa, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Nativo de Sorocaba, interior paulista, Firmino participou ativamente da invasão em Brasília e, durante os atos antidemocráticos, filmou um vídeo no topo da torre do Congresso. Ele foi preso em Brasília, ganhou liberdade provisória em novembro de 2023 com cumprimento de medidas cautelares, mas teve sua prisão novamente decretada pelo STF em abril de 2024, o que levou à sua fuga para a Argentina.
Firmino relatou ter viajado por 30 horas de moto até Buenos Aires, estando em estado fraco por ter doado sangue anteriormente, e chegou ao país sem pertences além da roupa do corpo e sua moto.
Seu perfil nas redes sociais mostra posts sobre entrega e trilhas de moto, além de temas políticos. Compartilhou foto ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro e apoiou manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele realizou serviço militar em 2009.
Rodrigo de Freitas Moro Ramalho, 35 anos, também foi preso durante os atos antidemocráticos. Condenado a mais de 14 anos de prisão por crimes semelhantes, ele era monitorado por tornozeleira eletrônica em Marília, interior paulista, mas tornou-se foragido em abril de 2024 após o sinal do dispositivo ser perdido. Ramalho foi preso na Argentina em novembro de 2024.
Pai de dois filhos, trabalhou como entregador de aplicativo.
Brasileiros extraditados
Além dos dois paulistas, Ana Paula de Souza, Joelton Gusmão Oliveira e Joel Borges Corrêa foram presos na Argentina e aguardam extradição. Eles solicitaram refúgio à Comissão Nacional para os Refugiados (Conare), mas não tiveram resposta antes das prisões. A decisão sobre extradição será analisada mesmo após a sentença judicial, e o presidente argentino Javier Milei terá a palavra final.
A Justiça argentina avaliou a equivalência dos crimes brasileiros segundo o Código Penal argentino e confirmou que o processo segue o tratado de extradição entre os países. As partes ainda podem recorrer à Suprema Corte da Argentina.
Alterações na legislação argentina
Os brasileiros buscavam refúgio na Argentina para evitar a extradição, mas uma mudança na legislação de outubro de 2024 impede concessão de refúgio a condenados por crimes graves, como terrorismo ou violações de direitos humanos. Isso permitiu maior cooperação entre os dois governos. Em junho, a Argentina enviou ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil uma lista com os nomes dos solicitantes de refúgio após suas condenações.

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