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Entenda a função de cada membro em grupo que fabricava armas em 3D

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O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou à Justiça cinco integrantes de uma quadrilha especializada na criação, divulgação e comercialização de armas e acessórios produzidos por meio de impressoras 3D. Segundo as investigações, o grupo funcionava como uma organização criminosa bem estruturada, com uma hierarquia clara e divisão de responsabilidades bem definidas. O líder do grupo era Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, que tinha como associados Gianluca Bianchi, Luigi Barbin da Costa, Vinicius Soriano Hernandes e João Guilherme Pinto.

As armas produzidas, chamadas de “ghost guns” ou armas fantasmas, são difíceis de rastrear e foram vendidas para pelo menos 11 estados entre 2021 e 2022. Três membros do grupo, incluindo Lucas Alexandre, foram presos em operação policial recente.

1 – Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz – líder

Lucas, de 26 anos, era o líder técnico e ideológico do grupo. Residente no Espírito Santo e natural de Duque de Caxias, possuía sólida formação acadêmica em Engenharia Eletrônica, tendo estudado no Cefet/RJ, Instituto Federal do Espírito Santo e Universidade Federal do Espírito Santo. Nas redes sociais, era conhecido como Zé Carioca ou Joseph The Parrot e era o criador da arma Urutau, fabricada por impressão 3D.

Ele era o responsável pela venda dos acessórios, como carregadores para pistolas Glock, e mantinha um site de comércio onde recebia pagamentos em criptomoedas, disponibilizando modelos e tutoriais detalhados para fabricação das armas.

2 – Gianluca Bianchi – colíder

Gianluca, de 30 anos, sócio de Lucas, contribuía com conhecimentos técnicos e logísticos, utilizando a empresa de seu pai para a produção das partes metálicas das armas que não podem ser impressas, como canos raiados. Essa cooperação permitia a venda de kits completos.

3 – Vinicius Soriano Hernandes – apoio técnico

Conhecido como Sandmann, Vinicius, de 25 anos, tinha expertise em eletrônica e tecnologia, era responsável pela divulgação técnica e ideológica, além de ajudar no financiamento das atividades por meio de doações em criptomoedas.

4 – Luigi Barbin da Costa – apoio técnico

Com 22 anos, Luigi, apelidado de Polimer Patriot, era o consultor técnico do projeto Urutau, encarregado de testar, aperfeiçoar e sugerir melhorias no armamento produzido.

5 – João Guilherme Pinto – apoio à divulgação

João Guilherme, de 21 anos, atuava na logística e propaganda, produzindo e comercializando itens com o logotipo da Urutau para promover o grupo.

O Ministério Público destacou a organização funcional do grupo, com liderança, coliderança e funções específicas para desenvolvimento, divulgação e comércio das armas 3D, cuja atuação se estendeu por mais de três anos.

Operação contra o grupo

Na operação Shadowgun, policiais prenderam Lucas Alexandre, Gianluca Bianchi e João Guilherme Pinto. Os demais estão foragidos. Eles enfrentam acusações por organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.

Durante as buscas, foram apreendidas armas de vários calibres, que estavam sendo distribuídas para clientes em diversos estados, muitos com antecedentes criminais.

Investigações detalhadas

A investigação começou após alerta internacional sobre um usuário que criava e vendia armamento impresso em 3D. O líder usava identidade falsa para divulgar testes, atualizações do design e instruções para montagem.

A arma principal era uma semiautomática detalhadamente descrita em manual técnico de 114 páginas, facilitando a fabricação por pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D. O grupo também promovia ideais a favor do porte irrestrito de armas e operava em redes sociais, fóruns e dark web, financiando suas ações com criptomoedas.

Abastecimento a facções criminosas

O grupo fornecia armas para facções criminosas, produzindo carregadores adaptados na residência do engenheiro. A polícia já encontrou armas desse tipo em posse de criminosos ligados ao Comando Vermelho.

Os compradores eram numerosos e espalhados por vários estados, muitos com histórico criminal, reforçando o alcance e relevância das investigações. No Rio de Janeiro, diferentes cidades e bairros identificaram compradores envolvidos com organizações criminosas.

Esse esquema evidencia um grave problema de segurança pública, com armas de fogo de fabricação caseira circulando em mãos perigosas, o que preocupa as autoridades.

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