Economia
Crescimento na indústria automotiva para 2026, mas com cautela
A indústria automotiva do Brasil está prevista para mostrar crescimento em 2026, embora com um tom de prudência. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), espera-se um aumento de 3,7% na produção de veículos nacionalmente, chegando a 2,74 milhões de unidades ao longo do ano.
Apesar dessa perspectiva positiva, o setor mantém uma postura de “otimismo moderado” devido às incertezas econômicas e políticas que ainda permeiam o cenário.
Esse crescimento projetado, divulgado recentemente, demonstra uma ligeira aceleração em comparação a 2025, quando a produção foi de 2,64 milhões, um aumento de 3,5% em relação a 2024.
O aumento para 2026 será liderado principalmente pelos veículos leves, com uma elevação estimada de 3,8%, enquanto o segmento pesado deve apresentar um crescimento mais contido de 1,4%.
Um dos principais impulsionadores desse avanço é o crescimento das tecnologias de propulsão inovadoras. Em 2025, os veículos eletrificados tiveram um salto significativo de 60,8%, passando a constituir 11,2% do mercado total.
Nesse mesmo ano, aproximadamente 73 mil veículos eletrificados foram produzidos no Brasil, e esse número deve crescer à medida que os investimentos anunciados pelas montadoras, que somam R$ 140 bilhões, se traduzam em novos produtos nacionais.
Por outro lado, o setor de caminhões pesados ainda apresenta preocupações. Após uma queda acentuada de 20,5% em 2025, a expectativa para 2026 é de uma retração menor, estimada em 0,5%.
A Anfavea atribui essa desaceleração negativa ao programa Move Brasil, criado para conter a forte deterioração desse segmento. Este programa prevê a disponibilização de R$ 10 bilhões em crédito para estabilizar o mercado ao longo do ano.
Igor Calvet, presidente da Anfavea, declarou: “O programa libera esse mercado, que estava enfrentando sérias dificuldades. Ele representa uma medida emergencial.”
Apesar das perspectivas animadoras, Calvet ressaltou que o ambiente ainda é muito incerto. Ele apontou que 2026 será um ano repleto de desafios que exigirão uma análise constante dos indicadores econômicos e das condições internacionais. “Nosso otimismo é moderado porque o ano traz muitas dúvidas e instabilidades”, enfatizou.
Diversos fatores influenciam as decisões do setor, como o cenário geopolítico mundial, a velocidade na redução das taxas de juros no país, os desdobramentos da reforma tributária e a eficiência operacional do programa Move Brasil.
Diante dessas variáveis, a Anfavea considera que 2026 terá aspectos ainda indefinidos, o que levará a entidade a revisar suas projeções a cada três meses, de acordo com a evolução dos acontecimentos durante o ano.

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