Brasil
Delegada chama PF após motorista da Uber pedir dinheiro para devolver notebook perdido
Delegada Dominique de Castro Oliveira, da Polícia Federal, recorreu à sua própria corporação ao enfrentar uma situação constrangedora com um motorista da Uber. Na última quinta-feira (8), o motorista solicitou um valor adicional para devolver um notebook funcional da PF que ela havia esquecido no veículo. Diante desse impasse, a Polícia Federal conduziu o motorista até a Superintendência do Distrito Federal para esclarecimentos.
O motorista foi devidamente interrogado e liberado conforme informação oficial.
Em comunicado, a Uber expressou pesar pelo incidente e ressaltou a importância de evitar conflitos entre motoristas parceiros e usuários.
O episódio gerou repercussão nas redes sociais, com críticas direcionadas à delegada. Comentários variaram desde questionamentos sobre o valor solicitado até menções ao histórico profissional de Dominique, que já atuou na Interpol e foi afastada em 2021 após diligências contra o blogueiro Allan dos Santos.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) emitiu nota repudiando os ataques contra a delegada e a corporação, destacando que o motorista buscava vantagem indevida, contrariando protocolos da Uber.
Segundo a delegada, ao perceber o esquecimento do computador no carro, solicitou a Uber a devolução. A empresa informou a cobrança de uma taxa que seria repassada integralmente ao motorista para custear o deslocamento, valor que foi pago pela delegada. Contudo, o motorista exigiu um pagamento extra, equivalente a 5% do valor do notebook, fundamentando-se em dispositivos do Código Civil, que a ADPF considera inaplicáveis nesse contexto.
A associação esclareceu que a situação deve ser regida pelas regras da Uber para bens esquecidos em veículos, não pelo Código Civil.
Diante da insistência do motorista por valores adicionais, a delegada acionou a Polícia Federal, preocupada com a segurança do equipamento e de dados sensíveis da instituição.
O motorista publicou nas redes sociais uma versão do ocorrido alegando prisão desproporcional, o que foi contestado por colegas da delegada e pela ADPF, que consideram isso um julgamento precipitado e inverídico.
A relação entre delegada e motorista foi estritamente comercial, ocorrendo durante prestação de serviço, diferentemente de um encontro fortuito de um bem perdido e devolvido espontaneamente.
A ADPF destacou que seria inadequado que motoristas de aplicativos cobrassem valores percentuais por devolução de itens esquecidos, reforçando a expectativa de conduta ética e cooperação, principalmente tratando-se de bens públicos.
Por fim, a entidade lamentou os ataques à honra da delegada e defendeu a reparação dos danos morais causados pela distorção dos fatos.
Nota da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal
A ADPF repudia os ataques injustificados contra a delegada Dominique de Castro Oliveira e a Polícia Federal. Ela esqueceu um computador público em veículo de aplicativo e seguiu os procedimentos da Uber para a devolução, pagando a taxa correta.
O motorista tentou cobrar valor adicional, fato que motivou a acionamento da PF, garantindo a segurança do bem com dados sensíveis.
A investigação segue e a ADPF enfatiza que a situação não se trata de abuso de poder, mas sim de uma tentativa do motorista em obter vantagem indevida.
Essa situação revelou uma inversão de valores que a ADPF repudia, defendendo o respeito às regras e ao trabalho da Polícia Federal.
Nota da Uber
A Uber esclarece que cada usuário é responsável por seus pertences, mas disponibiliza suporte para intermediar devoluções de itens esquecidos. Uma taxa de devolução é cobrada para ressarcir motoristas pelo deslocamento.
No caso em questão, a empresa lamenta o desentendimento e reforça o compromisso de manter relações harmoniosas entre motoristas parceiros e usuários, colaborando com as autoridades conforme a legislação vigente.


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