Brasil
Desmatamento cerca áreas protegidas na Amazônia Legal
As unidades de conservação estaduais e as terras indígenas no Amazonas estão entre as que mais sofrem com o avanço da degradação ambiental. Um relatório recente chamado Ameaça e Pressão em Áreas Protegidas, divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), mostra que o desmatamento interno nas reservas federais é preocupante.
Os dados apresentam uma situação complexa: enquanto as áreas federais enfrentam grandes ameaças externas, as áreas protegidas estaduais frequentemente sofrem uma devastação intensa, às vezes maior ou igual dentro das áreas ou ao redor delas.
O último relatório, que faz parte de uma série iniciada em 2017, analisa o desmatamento ocorrido entre outubro e dezembro de 2025. Para isso, usa imagens de satélite que dividem o território em células de 10 quilômetros quadrados.
Essas imagens identificam as áreas protegidas e os arredores com maior concentração de desmatamento.
Bianca Santos, pesquisadora do Imazon, explica que ameaça é o desmatamento que acontece perto das áreas protegidas, até 10 quilômetros do limite, chamado zona de amortecimento. Quando o desmatamento acontece dentro dos limites das áreas protegidas, é chamado de pressão, indicativo de invasão direta no território.
No total da Amazônia Legal, foram detectadas 904 células com desmatamento em unidades federais, estaduais, terras indígenas e seus arredores. Destas, 64% (577 células) estavam fora dos limites das áreas protegidas, representando ameaça, e 36% (327 células) estavam dentro, representando pressão.
Separando por tipo de área: as unidades estaduais tiveram 50% de ameaça e 50% de pressão; nas terras indígenas a ameaça foi de 68% e pressão de 32%; nas unidades federais a ameaça foi de 69% e pressão interna de 31%.
No ranking das áreas mais pressionadas no último trimestre de 2025, a Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes (AC), unidade federal, lidera com mais células de desmatamento. Depois vêm a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu (PA) e a Resex Tapajós-Arapiuns (PA).
Quanto às áreas mais ameaçadas, a Floresta Nacional (Flona) de Saracá-Taquera (PA) foi a que teve maior desmatamento detectado a até 10 quilômetros de seus limites, seguida pela Resex Chico Mendes e a Resex Tapajós-Arapiuns.
Bianca Santos afirma que, embora o estudo alerte para os problemas ambientais, a repetição das mesmas áreas entre as mais ameaçadas e pressionadas mostra falhas nas ações para conter o desmatamento em certas regiões.
Ao analisar a série histórica, observa-se que as áreas protegidas alternam entre as classificações de ameaça e pressão, muitas vezes vendo o avanço do desmatamento dos arredores para dentro das áreas.
“Infelizmente, o que percebemos ao longo do tempo é que áreas que antes eram muito ameaçadas agora também estão muito pressionadas”, conclui Bianca Santos.

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