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Economia

Investigação no BRB revela falhas na gestão que facilitaram compra problemática de carteiras do Master

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A auditoria conduzida pelo Banco Regional de Brasília (BRB) está examinando possíveis falhas na gestão da instituição, ligada ao Distrito Federal, que possam ter contribuído para complicações na aquisição de carteiras do Banco Master, envolvidas em escândalos recentes. A apuração foca em identificar ilegalidades na concentração de poder e na acumulação de funções, bem como tentativas de restringir decisões importantes dentro do banco.

O relatório mais recente, elaborado por Machado Meyer Advogados e a consultoria Kroll, destaca falhas significativas no processo de compra das carteiras suspeitas. Embora parte do montante comprometido de R$ 12,2 bilhões tenha sido trocado por outros ativos, o BRB precisará provisionar mais de R$ 6 bilhões para possíveis perdas, o que deve impactar negativamente o balanço de 2025. Tentativas de contato com o ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, não foram atendidas.

Além das falhas administrativas, a apuração revela problemas na análise dos riscos dessas carteiras. A avaliação, realizada de forma superficial e por funcionários inexperientes, foi feita utilizando apenas amostragem e com prazos extremamente curtos, como o caso de uma análise rápida de três horas em 24 de dezembro de 2024 para aprovar uma carteira milionária, com o argumento de urgência para não perder a oportunidade.

Paulo Henrique Costa teria estruturado uma administração resistente a questionamentos, nomeando para cargos-chave pessoas que evitavam contradizê-lo, segundo informações internas. Essas irregularidades contribuíram para uma crise de liquidez no banco, levando o Banco Central a exigir um plano de recuperação que está previsto para ser votado em assembleia de acionistas em 18 de março.

O segundo relatório da auditoria será enviado aos órgãos reguladores e inclui indícios de irregularidades envolvendo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o sócio da Reag, João Mansur, e outros atores ligados ao Master, além de possíveis manobras de Paulo Henrique Costa para beneficiar ações de certos acionistas no processo de recapitalização da instituição.

O relatório final deve focar na tentativa frustrada de adquirir o Banco Master, uma operação rejeitada pelo Banco Central que culminou na liquidação da instituição de Vorcaro. Parte dessa fase será destinada a apurar responsabilidades administrativas e civis pelos prejuízos causados.

Desde então, o presidente Nelson de Souza, que substituiu Paulo Henrique Costa, renovou quase toda a diretoria do banco, mantendo apenas dois diretores não envolvidos no caso. Também houve substituição completa dos membros do conselho de administração, comitê de auditoria e superintendentes, além de reformulações nas instâncias decisórias, nos comitês, no conselho fiscal e nos processos de análise de risco, numa tentativa de restaurar a governança e a transparência na instituição.

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