Centro-Oeste
Acampamento Indígena em Brasília Combate Grandes Projetos no Território
Delegações de povos indígenas de todas as regiões do Brasil estão chegando a Brasília para participar do Acampamento Terra Livre, que inicia nesta segunda-feira (6) e vai até sexta (10).
Esse evento anual, organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), este ano tem como tema “Nosso futuro não está à venda – a resposta somos nós”, denunciando grandes obras e empreendimentos que ameaçam os biomas, como estradas e mineração.
Além disso, as eleições com candidaturas indígenas e o apoio a políticos aliados estão em pauta nas reuniões. O movimento enfrenta dificuldades no Congresso Nacional devido à influência da bancada ruralista, especialmente com a tentativa de incluir a tese do marco temporal na Constituição.
O marco temporal condiciona o direito dos indígenas aos territórios apenas se eles os ocupavam em 1988. Essa tese foi rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal, mas parlamentares tentam transformá-la em lei.
Kleber Karipuna, coordenador da Apib, afirma que as organizações indígenas lutam contra essa e outras questões em tramitação, reafirmando a posição do Supremo sobre a inconstitucionalidade do marco temporal.
Segundo Kleber Karipuna, o acampamento reúne demandas locais e coletivas e busca garantir plenamente os direitos indígenas através de ações jurídicas e políticas.
A programação do evento inclui apresentações das delegações e escuta das reivindicações no primeiro dia, seguida de uma marcha até o Congresso no segundo, debates sobre territórios no terceiro, outra caminhada no quarto dia, e encerramento com a publicação de um manifesto no último.
Todas as noites haverá eventos culturais, como shows, desfiles de moda e apresentações de dança, para valorizar a diversidade das etnias e promover interação entre os participantes.
A expectativa da Apib é reunir cerca de 8.000 indígenas no Eixo Cultural Ibero-americano, antiga Funarte, próximo aos prédios dos três Poderes.
Ewésh Yawalapiti Waurá, presidente da Associação da Terra Indígena Xingu (Atix), destaca a proteção territorial como prioridade, ressaltando que o Xingu sofre com invasões causadas pelo agronegócio, pesca ilegal e desmatamento.
Ewésh Yawalapiti Waurá reforça que o acampamento é um instrumento político importante, pois permite que lideranças indígenas dialoguem diretamente com o Congresso, o STF e o governo.
As mudanças climáticas também estão entre os temas principais, pois os territórios e biomas são afetados de diversas formas, como secas, incêndios e alteração dos rios.
Ewésh Yawalapiti Waurá ressalta a importância de discutir financiamento climático justo e buscar soluções para a crise climática.
No Xingu, a crise ameaça a produção milenar de cerâmicas do povo waurá, afetada pela escassez do cauxi, uma esponja de água doce indispensável na confecção das peças.
Indígenas de outros países também participam da luta junto aos povos brasileiros. No ano passado, organizações da bacia amazônica e da Oceania contribuíram nas pautas sobre a Amazônia e financiamento climático para populações vulneráveis.
O evento, que completa 21 anos, é mobilizado por diversas organizações de base indígenas de todo o país, reforçando a união e a força dos povos originários do Brasil.


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