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Economia

Novo acordo entre Mercosul e União Europeia pode impulsionar comércio em Pernambuco

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O novo acordo entre Mercosul e União Europeia sinaliza uma etapa importante para o comércio internacional, com impactos significativos para a economia de estados como Pernambuco. Após mais de 20 anos de negociação, o tratado começará a valer de forma provisória a partir de 1º de maio de 2026.

Esta iniciativa, anunciada pela Comissão Europeia e defendida pela presidente Ursula von der Leyen, busca agilizar a implementação do tratado, apesar de desafios internos na Europa e questionamentos jurídicos que ainda estão em avaliação.

O acordo envolve os 27 países da União Europeia e os membros do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — criando um mercado com cerca de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto conjunto estimado em US$ 22 trilhões. É uma das maiores zonas de livre comércio mundial.

A proposta é eliminar gradualmente as tarifas sobre a maior parte dos produtos trocados entre os blocos. A União Europeia reduzirá a zero os impostos para 92% das exportações do Mercosul e, por sua vez, o Mercosul fará o mesmo para 91% das importações europeias nos próximos anos.

As relações comerciais entre Brasil e União Europeia estão crescendo. Em 2025, o comércio bilateral chegou a US$ 100 bilhões, e espera-se que o acordo amplie tanto o volume quanto a variedade das exportações brasileiras.

Perspectiva do especialista

Para o especialista em comércio exterior Luciano Bushatsky, o tratado representa uma mudança estratégica para o Brasil no mercado global. A redução das barreiras tarifárias e regulatórias aumentará a competitividade das empresas brasileiras e criará um ambiente mais favorável para exportações e investimentos.

Além disso, o acordo deve elevar o nível das cadeias produtivas, principalmente devido às exigências ambientais e de qualidade demandadas pelo mercado europeu.

Por outro lado, Bushatsky destaca que a abertura comercial poderá intensificar a entrada de produtos europeus, aumentando a concorrência no mercado interno brasileiro.

Impactos para Pernambuco

Pernambuco deve ser um dos estados que mais se beneficiará com o acesso facilitado ao mercado europeu. Cadeias produtivas como a do agronegócio têm grande potencial para crescer com o novo acordo.

A fruticultura irrigada no Vale do São Francisco, por exemplo, pode ampliar a exportação de frutas como manga e uva, que já são conhecidas internacionalmente. A redução das tarifas deve tornar esses produtos mais competitivos. Em 2025, Pernambuco concentrou mais da metade das exportações brasileiras de manga, com 291 mil toneladas embarcadas e receita superior a US$ 335 milhões.

Além disso, a logística do estado pode ganhar destaque. O Complexo Industrial Portuário de Suape pode se consolidar como um importante centro de exportação no Nordeste, impulsionado pelo aumento esperado no fluxo de mercadorias.

Entretanto, o acordo traz desafios. A maior concorrência dos produtos europeus e as exigências ambientais e sanitárias mais rígidas vão exigir adaptação rápida das empresas locais.

Segundo Bushatsky, será necessário planejamento e investimentos para que estados como Pernambuco aproveitem os benefícios do novo cenário. O avanço em inovação, qualificação profissional e infraestrutura será fundamental.

“Este acordo traz grandes oportunidades, mas requer preparo para competir num ambiente integrado e mais exigente”, conclui ele.

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