Centro-Oeste
Adeus a Bruna Stephanie Brandão entre familiares e amigos
Familiares e amigos se reuniram para se despedir de Bruna Stephanie Brandão, de 36 anos, que foi enterrada nesta segunda-feira no Cemitério de Brazlândia. Ela foi assassinada pelo ex-marido na frente do filho pequeno de dois anos na última sexta-feira. Com esse triste acontecimento, o Distrito Federal registra oito casos de feminicídio apenas no primeiro trimestre de 2026. A Subsecretaria de Prevenção à Criminalidade da Secretaria de Segurança Pública reforça a importância das mulheres buscarem ajuda do Estado, destacando que a denúncia precoce e a conscientização coletiva são essenciais para interromper o ciclo de violências que antecedem esses crimes de gênero.
Bruna deixou três filhos: um de 2 anos, outro de 10 e o mais velho, de 18 anos. A despedida foi marcada por muita emoção, com revolta, lágrimas, orações e luto. Ela foi sepultada no jazigo da família, ao lado de uma irmã. Os quatro irmãos estavam presentes ao velório e pediram respeito à privacidade, optando por não conceder entrevistas neste momento difícil. Uma parente chegou a passar mal durante a cerimônia.
Amigos e familiares estão promovendo uma campanha solidária para ajudar com os custos do velório e sepultamento. As doações podem ser feitas via Pix usando a chave 37299379104, cadastrada no CPF do irmão, Venceslau Lustosa.
Detalhes do crime
De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal, o autor do crime, Elenilton Pereira Bezerrão, foi detido pelo 28º BPM da Polícia Militar logo após o ocorrido. Bruna foi atacada com uma faca no pescoço na última sexta-feira. Ela foi socorrida por populares e levada para a UPA do Riacho Fundo II, mas infelizmente não sobreviveu aos ferimentos.
Elenilton foi preso em flagrante. A investigação continua para apurar mais detalhes. No sábado, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.
Bruna teve uma relação com Elenilton em Caldas Novas, Goiás, mas se afastou depois de episódios de violência. Ela havia conseguido uma medida protetiva pela Justiça de Goiás, mas essa proteção não estava ativa no sistema de monitoramento do Distrito Federal no momento do crime.
A importância de denunciar violência contra a mulher
Regilene Rozal, subsecretária de Prevenção à Criminalidade da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, destaca que os oito feminicídios neste ano mostram um número alarmante. Ela enfatiza que prevenir a violência é uma tarefa conjunta entre várias áreas do governo e a sociedade civil, pois essa violência está ligada a uma estrutura social que muitas vezes submete e normaliza as agressões contra mulheres.
Para combater esse problema cultural, várias frentes devem atuar juntas, desde a segurança pública até a sociedade. É fundamental evitar as pequenas agressões e microviolências que ainda são toleradas, pois elas podem levar a casos mais graves.
A série histórica desde 2015 mostra que os agressores não ficam impunes: em 2025, foram cerca de 23 mil ocorrências de violência contra a mulher, com 5.588 prisões em flagrante. O Distrito Federal possui ferramentas eficazes, como o programa Viva Flor, que acompanha mais de 1.800 mulheres e monitora agressores com tornozeleira eletrônica, o que ajuda a proteger as vítimas.
Desde 2018, nenhuma mulher protegida pelo Viva Flor foi vítima de feminicídio, comprovando que o apoio do poder público torna as mulheres mais seguras. Mais de 70% das vítimas fatais de feminicídio nunca haviam buscado ajuda formal, o que reforça a necessidade do acesso à proteção estatal.
Para participar do programa Viva Flor, a mulher deve registrar uma ocorrência e relatar situações de risco grave, como agressores com antecedentes criminais ou que tenham acesso a armas. A inclusão é determinada por ordem judicial ou delegado, e permite o uso de um aplicativo com botão de pânico e monitoramento de localização, garantindo resposta rápida da polícia.
Em 2025, o monitoramento resultou em 64 prisões de agressores. Embora o número de feminicídios tenha sido 28 no ano, essas detenções indicam que a prevenção ativa salva vidas, cada prisão representa uma potencial vítima salva.
Regilene ressalta a importância de a sociedade superar a ideia de que não se deve intervir em casos de violência doméstica e incentiva a denúncia: “Ao aumentar os registros, percebemos que as mulheres estão mais conscientes, e também é fundamental que vizinhos, parentes e pessoas próximas reconheçam e denunciem essas violências”.
Como denunciar
Regilene destaca que estar sob proteção do Estado salva vidas, e recomenda que quem é vítima ou conhece alguém em situação de violência utilize os canais disponíveis no Distrito Federal:
- Emergência (Polícia Militar): Ligue 190. Atendimento 24 horas para casos de agressão em andamento ou risco imediato.
- Denúncia e Investigação (Polícia Civil): Ligue 197. Para relatar violências, registrar ocorrências e iniciar a investigação do agressor.
- Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180. Para orientações sobre direitos e serviços de acolhimento em todo o Brasil.


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