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Nasa divulga foto do pôr da Terra antes do retorno da Artemis II
Mais de 57 anos após a icônica foto do “amanhecer da Terra” capturada pela Apollo 8, os astronautas da Artemis II registraram o “ocaso” do planeta no horizonte lunar enquanto iniciavam sua viagem de volta ao nosso planeta.
Após um sobrevoo lunar cheio de momentos inesquecíveis, os quatro astronautas da Artemis II — os americanos Reid Wiseman, Christina Koch e Victor Glover, e o canadense Jeremy Hansen — começaram sua jornada de retorno à Terra.
“Fiquei impressionada ao perceber não apenas a beleza da Terra, mas também a escuridão que a rodeia, o que a torna ainda mais especial”, contou Koch nesta terça-feira (7), que se tornou a primeira mulher a orbitar a Lua, durante uma transmissão com a Estação Espacial Internacional (ISS).
Durante quase sete horas, os astronautas ficaram junto das janelas, apreciando uma visão única da Lua, a uma altitude de 6.500 quilômetros, muito maior do que a dos astronautas do programa Apollo, que estavam a cerca de 100 km.
Esses quatro marcaram história ao se tornarem os humanos que viajaram mais longe no espaço, alcançando uma distância de 406.771 km da Terra, 6.000 km a mais que a tripulação da Apollo 13 em 1970.
Segundo Jenni Gibbons, encarregada de comunicação com a equipe, a vista do planeta a essa distância deve ter sido “absolutamente impressionante”.
Imagens surpreendentes
Em diversas fotografias impressionantes divulgadas pela Nasa nesta terça-feira (7), o azul da Terra contrasta com a vastidão do espaço, com o horizonte lunar em primeiro plano, apresentando tons que variam do cinza ao marrom.
Entre as fotos, há uma que mostra o planeta azul desaparecendo atrás da Lua, remetendo à lendária imagem capturada em 24 de dezembro de 1968 pelo astronauta americano Bill Anders da Apollo 8, durante seu primeiro voo tripulado ao redor da Lua.
Jim Lovell, membro da Apollo 8, que faleceu em agosto de 2025, deixou uma mensagem gravada para a tripulação: “Este é um dia histórico, e sei que estarão ocupados, mas não deixem de aproveitar a vista”.
O diretor da Nasa, Jared Isaacman, durante uma coletiva, afirmou que essas imagens são apenas as primeiras de muitas outras incríveis da Lua, que continuarão sendo divulgadas à medida que estejam disponíveis.
A tripulação deve retornar na sexta-feira (10), com o pouso previsto no mar, próximo à costa da Califórnia, onde a cápsula Orion deve aterrissar.
Experiência única
Além das observações e anotações feitas pelos astronautas, especialmente sobre flashes de luz na superfície lunar, essas fotografias podem auxiliar no estudo da geologia e da história lunar, conforme expectativa da Nasa.
Kelsey Young, cientista-chefe da missão, afirmou que o que foi feito representa uma verdadeira diferença do ponto de vista científico.
Os quatro astronautas viram um nascer e um pôr do sol, além de um eclipse lunar no qual a Lua bloqueou o Sol, um espetáculo digno de um filme de ficção científica, exclamou Glover. “Foi simplesmente surreal.”
Também observaram áreas do lado oculto da Lua que “jamais tinham sido iluminadas durante as missões Apollo”, disse Jenni Gibbons no Centro de Controle de Missões da Nasa, em Houston, Texas.
Para Bruce Betts, cientista-chefe da Planetary Society, o impacto desse voo lunar, o primeiro em mais de cinquenta anos, está mais relacionado à essência humana do que à ciência.
“Se optamos por explorar com homens e mulheres, aceitando os riscos e custos, é porque compartilhamos uma conexão humana e o desejo de inspirar uns aos outros”, declarou Betts à AFP.
A missão Artemis II pretende motivar gerações que não conheceram o programa Apollo, explicou.
Se uma próxima missão, prevista para o ano que vem, for bem-sucedida, a Nasa planeja levar astronautas à Lua em 2028.

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