Economia
Galípolo solicita apoio do Congresso para fortalecer BC
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, apelou aos senadores para a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa ampliar a autonomia do Banco Central, durante uma sessão da CPI do Crime Organizado.
De acordo com Galípolo, essa medida alinharia a estrutura legal do BC à de outras nações, solucionando uma limitação do Brasil onde parte do orçamento do órgão ainda depende do Tesouro Nacional.
Ele ressaltou as dificuldades enfrentadas pelo BC em termos de pessoal e estrutura, afetado pela redução do quadro de servidores, principalmente devido a aposentadorias e migração para o setor privado.
– Desde minha sabatina, busco apoio, peço ajuda e agora peço socorro para que a PEC do BC, que está em tramitação há bastante tempo, seja aprovada, equiparando nosso órgão aos bancos centrais do resto do mundo – afirmou Galípolo.
O presidente também explicou que o processo de autonomia é frequentemente mal interpretado; o BC mantém sua responsabilidade de prestar contas, mas necessita de recursos adicionais para fortalecer sua equipe e infraestrutura para aprimorar a supervisão.
Galípolo destacou que, às vezes, um servidor precisa supervisionar 30 instituições no Brasil, enquanto em bancos centrais europeus essa proporção é muito menor. Sobre ataques digitais ao sistema financeiro, informou que o BC emite alertas quando detecta movimentações suspeitas, mas os servidores geralmente não recebem adicional por monitorar os sistemas nos finais de semana, fazendo isso motivados pelo senso de responsabilidade.
Ele também alertou que muitos ataques, conhecidos como ciberataques, são comandados por organizações criminosas que utilizam engenharia social para burlar sistemas.
– O crime organizado investe em tecnologia para encontrar novos métodos de fraude – disse.
Além disso, bancos centrais europeus estão utilizando inteligência artificial para melhorar a supervisão. O BC brasileiro tem capacidade para desenvolver tecnologias similares, mas precisa de mais recursos.
Galípolo mencionou que o sistema financeiro brasileiro movimenta R$ 15 trilhões, e detectar fraudes de bilhões, como nos casos do Banco Master e BRB, é uma tarefa complexa.
Sobre a PEC, ele salientou que na última versão do relatório foi superada a resistência do governo sobre a manutenção no direito público.
– É fundamental que, em um país com tantas instituições financeiras e fundos, os órgãos de supervisão avancem e se equiparem internacionalmente. Como diz o presidente do BC americano, não se pode prever tempestades, mas podemos construir estruturas fortes para resistir a elas, e para isso precisamos de investimentos – concluiu.
Para aprimorar a supervisão, Galípolo apontou a necessidade de discutir alterações na regulação, questionando se esta deve ser feita com base no CNPJ ou na atividade, defendendo que atividades similares devem ter regulamentos iguais.

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