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Passagens aéreas sobem 32% em março por alta no combustível

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Desde o começo de março, quando a crise no Oriente Médio teve início, os preços das passagens das principais companhias aéreas brasileiras — Latam, Gol e Azul — tiveram um aumento de 22% em comparação ao ano anterior, e de 31% em relação a fevereiro, segundo um relatório do J. P. Morgan baseado em uma ferramenta própria de monitoramento de tarifas.

“Isso indica que as empresas aéreas elevaram as tarifas antecipando a recente alta no preço do combustível de aviação”, afirmam os analistas Guilherme Mendes e Julia Orsi no documento.

Especialistas já alertam que o reajuste nas passagens no Brasil é algo inevitável, pois as companhias vendem bilhetes com antecedência média e longa. A incerteza sobre o custo do combustível e o tempo de duração da crise no Irã são os principais motivos para essa elevação nos valores.

No mercado brasileiro, há um intervalo de 45 dias entre a oscilação do preço internacional do querosene e sua repercussão nos preços domésticos, conforme destacado pelos analistas. Em sua divulgação dos resultados de 2025, em 27 de março, a Azul ressaltou que esse atraso é um ponto favorável.

“Essa diferença permite um impacto mais gradual nas despesas com combustível, possibilitando ajustes proativos em preços, capacidade e gestão de receita”, informou a empresa em sua apresentação.

Além disso, as distribuidoras adicionam em média mais 25 dias para efetuar o pagamento do querosene, o que contribui para a estabilidade financeira das aéreas.

Mesmo assim, o impacto é significativo. A Azul calcula que o combustível representa cerca de 30% dos seus custos, e que um aumento de 10% no preço do querosene exigiria uma elevação de 2,5% na receita total para compensar.

Para minimizar os efeitos do aumento, as empresas adotam medidas como utilização de aeronaves mais econômicas, especialmente modelos da Embraer, ajustes na malha aérea, otimização de rotas exclusivas e outras estratégias de redução de custos.

A Petrobras reajustou em 55% o valor do querosene vendido às distribuidoras a partir de abril, devido à alta do petróleo no mercado internacional provocada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Foi anunciado que o pagamento desse aumento será feito de forma parcelada, começando com 18% do total no primeiro mês e o restante dividido em até seis parcelas.

O governo brasileiro também anunciou um conjunto de medidas para conter a alta dos combustíveis, incluindo ações para diesel, gás de cozinha e querosene de aviação. Para o querosene, propõe a suspensão do PIS/Cofins, adiamento do pagamento de taxas aeroportuárias e oferta de linhas de crédito de aproximadamente R$ 9 bilhões para reestruturação financeira e capital de giro.

No primeiro trimestre de 2026, conforme o relatório do J. P. Morgan, as tarifas das três companhias tiveram alta anual de 16% e crescimento de 12% em relação ao trimestre anterior. Foi observado redução nos preços das passagens para lazer, enquanto para negócios houve um aumento.

Entre elas, apenas a Latam possui uma estratégia robusta de proteção contra a volatilidade dos preços do combustível, com 36% do consumo de 2026 já garantido por contratos de hedge, segundo divulgado em sua apresentação dos resultados do quarto trimestre de 2025. Esses contratos cobrem 48% dos custos no primeiro trimestre, 44% no segundo, 31% no terceiro e 22% no último trimestre do ano.

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