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Por que você atirou nela, pergunta PM à soldado que matou mulher na zona leste de SP
Um policial militar perguntou à soldado que disparou e matou a ajudante geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, na última sexta-feira (3), por que ela atirou.
Logo após o disparo, o soldado Weden Silva Soares questionou a policial militar Yasmin Cursino Ferreira, dizendo: “Você atirou? Por quê?”. A soldado alegou que a vítima teria avançado contra ela e a atingido com um tapa no rosto. Todo o ocorrido, incluindo essa conversa, foi registrado pelas câmeras corporais de Weden e obtido pela TV Globo.
As imagens não deixam claro se Thawanna realmente atacou Yasmin. A vítima não resistiu aos ferimentos e faleceu, completando 32 anos no dia 8, última quarta-feira. A Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que os policiais estão afastados das funções e que o caso está sendo investigado com seriedade.
O incidente começou quando os policiais passavam de viatura pela Rua Edimundo Audran, na madrugada, e o retrovisor do veículo chegou a tocar no marido da vítima, Luciano Gonçalves dos Santos, que caminhava ao lado dela pela rua, pois a calçada é estreita.
O soldado Weden, que dirigia, voltou o carro e repreendeu o marido com palavras ríspidas. Thawanna respondeu, dizendo que foram os policiais que os atingiram.
As imagens mostram Yasmin saindo da viatura e indo até Thawanna já discutindo, seguida por Weden indo até Luciano. Pouco depois, um tiro é ouvido.
Weden então se dirige a Yasmin para entender o que ocorreu, e ela relata ter sido agredida com um tapa, algo negado por Luciano. Yasmin não usava câmera corporal por conta do tempo de serviço.
As imagens também registram Weden pedindo socorro, que chegou cerca de 30 minutos após o disparo, e conversando com outros policiais que chegaram ao local, apoiando a versão de que Yasmin foi atacada antes de atirar e chegando a comentar que achou que o tiro havia sido dado para o chão.
Weden comentou ainda que seria útil encontrar uma câmera mostrando Thawanna dando o tapa que ela mencionou, e consolou Yasmin, dizendo que não deveria ter atirado, mas que fez porque a vítima teria tentado tomar a arma dela, concluindo com “Relaxa, agora já foi”.
Yasmin Cursino Ferreira e Weden Silva Soares foram afastados das atividades operacionais da Polícia Militar.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) comunicou que o caso está sendo investigado com prioridade pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e que as imagens das câmeras corporais foram incorporadas ao inquérito policial.
Um Inquérito Policial Militar foi aberto, e a Corregedoria da PM investiga os fatos para determinar o que ocorreu.
“As imagens feitas pelas câmeras corporais foram anexadas aos inquéritos e estão sendo analisadas, integrando as provas do caso. Além das imagens, laudos periciais e depoimentos também estão sendo avaliados cuidadosamente”, informou a SSP-SP.
O Ministério Público instaurou, na segunda-feira (6), procedimento para investigar a morte de Thawanna. O processo foi aberto por promotores do Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp).

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