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Pedro Sánchez brilha como líder de esquerda após confronto com Trump
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, conquistou uma cúpula de progressistas globais esta semana, contando com a presença do presidente Lula, ampliando assim sua influência internacional.
Em confronto direto com o presidente americano, Sánchez se destacou por críticas a Israel e pela defesa da imigração, em um momento em que a Europa se inclina para a direita há anos.
Recentemente, ele se posicionou contra a guerra promovida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, o que provocou ameaças comerciais de Donald Trump contra a Espanha.
Além disso, Sánchez contrariou a Otan no ano passado ao recusar o pedido de Trump para aumentar os gastos militares a 5% do PIB, sendo o líder ocidental de maior destaque a qualificar como “genocídio” o conflito de dois anos entre Israel e o Hamas em Gaza.
Segundo Ignacio Molina, diretor de pesquisas do Real Instituto Elcano em Madri, a postura consistente de Sánchez resultou em avanços no Sul Global, especialmente na América Latina e no mundo árabe.
“Os resultados são positivos para o governo, que ganhou grande protagonismo, projeção e influência em diversos países”, afirmou Molina à AFP.
Joan Botella, professor de ciência política da Universidade Autônoma de Barcelona, acrescentou que a Espanha adquiriu um peso significativo dentro da União Europeia, superando períodos anteriores.
Oponente de Trump
Nos últimos tempos, Sánchez tem recebido destaque na mídia internacional.
O The Wall Street Journal o descreveu em março como o porta-voz da oposição política ao presidente dos Estados Unidos, enquanto o Financial Times o chamou de “nêmesis de Trump na Europa”.
Como presidente atual da Internacional Socialista, Sánchez sediou em Barcelona a cúpula da Mobilização Progressista Global, reunindo líderes da esquerda mundial, como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o sul-africano Cyril Ramaphosa e a mexicana Claudia Sheinbaum, além de mais de 400 prefeitos e 100 partidos.
Sánchez e Lula fizeram os discursos principais no evento, cujo intuito é unir os progressistas em tempos difíceis, marcados pela ascensão da extrema direita.
A crescente influência internacional de Sánchez contrasta com sua imagem polarizadora no cenário nacional. Desde que assumiu o governo em 2018, ele nunca teve maioria parlamentar e vem sendo enfraquecido por escândalos de corrupção envolvendo familiares e antigos aliados.
Consolidando sua influência política
Botella observa que Sánchez aposta na política externa, área na qual se sente confortável e na qual a opinião pública espanhola apoia majoritariamente.
Mais de 68% dos espanhóis desaprovam a guerra contra o Irã, incluindo membros da principal força opositora, o Partido Popular (PP), conforme pesquisa de março divulgada pelo jornal El País.
Botella destaca: “Os espanhóis têm um certo sentimento de insegurança quando olham para fora, e o perfil internacional que Pedro Sánchez conquistou é impressionante para muitos, indo muito além do seu apoio eleitoral.”
O PP alega que Sánchez utiliza sua atuação na política externa para unir os grupos de esquerda divididos na Espanha, desviando o foco das notícias desfavoráveis.

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