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Alckmin evita conflito e reforça parceria com a Rússia

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Com a atenção da comunidade internacional, o governo brasileiro recebeu em Brasília nesta quinta-feira, 5, uma ampla delegação russa enviada pelo presidente Vladimir Putin. No primeiro compromisso oficial, o vice-presidente Geraldo Alckmin optou por não comentar o conflito na Ucrânia e destacou a importância da parceria estratégica entre Brasil e Rússia, independentemente do contexto atual.

Alckmin afirmou que a 8ª Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN) demonstra a força e durabilidade da relação estratégica entre os dois países.

“Parcerias sólidas não dependem apenas do momento presente, mas de interesses estruturais claros”, frisou Alckmin durante seu discurso no Ministério das Relações Exteriores, na presença do primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin, chefe da delegação russa.

O vice-presidente evitou mencionar diretamente a guerra na Ucrânia, que começou com uma invasão militar russa há quase quatro anos.

A reunião, principal mecanismo de coordenação governamental Brasil-Rússia, atraiu a atenção das principais democracias ocidentais. Ela ocorre simultaneamente a negociações entre russos e ucranianos intermediadas pelos Estados Unidos em Abu Dhabi, que resultaram em uma troca de prisioneiros e tentativas de cessar-fogo.

Apesar da tensão, incluindo o rompimento de uma trégua e ataques recentes, além do término de um tratado de não proliferação nuclear entre Rússia e EUA, a reunião em Brasília foca em cooperação econômica e científica, com participação de ministros e autoridades de setores essenciais de ambos os países.

Pelo Brasil, além de Alckmin — que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — participaram representantes do Itamaraty, Saúde, Ciência, Tecnologia e Inovação, entre outros. A delegação russa incluiu ministros da Indústria, Agricultura, Cultura, Saúde, Transporte e mais.

Após uma pausa de mais de dez anos na realização da CAN, que foi interrompida em 2022 por causa da guerra e receios políticos, a importância do encontro foi destacada pela mídia russa e autoridades presentes.

Alckmin ressaltou a necessidade de fortalecer os canais institucionais, reduzir barreiras logísticas e diversificar o comércio bilateral, buscando mais coordenação e visão a longo prazo.

Ele observou que o intercâmbio comercial ainda está abaixo do potencial dos dois países, embora os números já sejam significativos. Em 2025, o comércio bilateral atingiu US$ 10,9 bilhões, com déficit para o Brasil: exportações brasileiras à Rússia foram de US$ 1,5 bilhão, enquanto as importações russas somaram US$ 9,4 bilhões.

Em 2023, o comércio bilateral ultrapassou pela primeira vez US$ 10 bilhões após duas décadas de parceria, totalizando US$ 11,3 bilhões, e em 2024, atingiu US$ 12,4 bilhões. O Brasil exporta principalmente carne bovina, soja e café, e importa óleo diesel e fertilizantes.

O primeiro-ministro Mikhail Mishustin destacou o papel do Brasil na segurança alimentar da Rússia e expressou interesse em aumentar o volume do comércio bilateral.

Ele defendeu reforçar a aliança tecnológica e intensificar a cooperação científica, oferecendo compartilhar tecnologias de energia nuclear pacífica, inteligência artificial, automação e medicamentos.

Mishustin também incentivou pagamentos em moedas locais, maior interação bancária e o uso de uma arquitetura financeira independente, assim como a criação de corredores de transporte e cadeias logísticas, refletindo a busca da diplomacia russa por alternativas ao dólar diante das sanções ocidentais.

Além da reunião, Mishustin terá encontros privados com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e posteriormente almoçará com o presidente, o vice-presidente, autoridades governamentais e empresários brasileiros e russos.

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