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Atiradora de igreja em Minneapolis tinha obsessão por assassinos famosos

A atiradora que tirou a vida de duas crianças durante uma missa na Igreja da Escola Católica da Anunciação, em Minneapolis, na quarta-feira, 27, demonstrava um grande interesse por criminosos famosos do passado, conforme revelam as investigações. Ela deixou inúmeros textos expressando sentimentos de ódio contra vários grupos e figuras públicas, incluindo mexicanos, negros, cristãos, judeus e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o procurador-geral do Estado de Minnesota, Joe Thompson, a suspeita, Robin Westman — que nasceu como Robert e teve seu nome alterado em 2020 com autorização judicial — era perturbada e tinha uma fixação em atacar crianças. “O ataque visou os mais vulneráveis exatamente em seu momento mais fragilizado, na escola e na igreja”, explicou.
O chefe da polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, comentou que Westman, de 23 anos, era fascinada por massacres. “Ela compartilhava um interesse inquietante por assassinos em série conhecidos, similar a muitos outros offenders em massa que temos visto no país”, observou.
Planejamento do ataque
Relatos indicam que a atiradora visitou a igreja semanas antes do ataque e fez um desenho detalhado do local, conforme fonte revelada pela CNN. As autoridades acreditam que seu plano inicial era atacar dentro da igreja, mas, como as portas foram trancadas após o início da missa, ela começou a disparar contra os vitrais externamente.
Westman frequentou a Escola Católica da Anunciação, embora o tempo exato não tenha sido esclarecido. Um anuário escolar obtido pela CNN mostra que ela concluiu o ensino fundamental em 2017. Sua mãe, Mary Grace Westman, trabalhou na secretaria da igreja por cinco anos antes de se aposentar em 2021.
Na quarta-feira, equipada com três armas adquiridas legalmente, ela escolheu o momento da primeira missa do novo ano letivo para cometer o crime. A polícia encontrou 116 munições de fuzil, uma de pistola e três cartuchos de espingarda no cenário do ataque.
Consequências e investigações
O ataque resultou na morte de duas crianças, de 8 e 10 anos, e feriu outras 17 pessoas presentes na igreja. Após o ocorrido, Westman tirou a própria vida. Mesmo com as evidências recolhidas, as autoridades continuam investigando os motivos que a levaram a cometer o massacre.
Nas redes sociais, algumas pessoas com visão conservadora tentaram associar a identidade de gênero da atiradora a uma imagem de violência ou transtornos mentais. No entanto, a polícia reforçou que seu histórico online mostra uma coleção confusa e ampla de mensagens cheias de ódio e reclamações desconexas.
Em vídeos encontrados, ela exibia sua coleção de armas, falava de violência e mostrava o que aparentavam ser explosivos, com mensagens antissemitas, racistas e ameaças ao presidente Trump. Também havia páginas de um diário onde ela expressava seu ódio próprio, pensamentos violentos contra crianças e desejo de se machucar, escritas principalmente em inglês com caracteres cirílicos. Uma dessas páginas trazia um adesivo com bandeiras LGBT+ junto a uma arma e a frase “Defenda a Igualdade”. A polícia retirou esses vídeos das plataformas online.
Apelo por respeito
Em coletiva, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, membro do Partido Democrata, solicitou que a comunidade evite usar pessoas transgênero como bodes expiatórios pela tragédia. “Tenho visto muito preconceito direcionado à nossa comunidade trans”, declarou. “Aquilo que tenta tirar proveito dessa situação para denegrir nossa comunidade perdeu completamente o senso de humanidade.”

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