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Cemaden avisa sobre calor extremo no Brasil com chegada do El Niño

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Se o El Niño fosse uma criança, seu nome poderia enganar sobre o impacto que esse fenômeno tem no clima global. Com sua chegada prevista para o segundo semestre, ele causa mudanças significativas no tempo da maior parte do planeta.

Não há confirmação de que este El Niño será extremamente forte, apesar de rumores em redes sociais. O único impacto certo é o aumento das temperaturas, que será sentido em todo o Brasil, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

O calor intenso, já presente, deve se intensificar com o El Niño. O ano de 2026 pode superar 2024 como o mais quente da história, segundo José Marengo, climatologista renomado e autor de uma nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) enviada à Casa Civil.

De modo geral, o El Niño tende a reduzir as chuvas no Norte e aumentá-las no Sul. No Centro-Oeste e Sudeste, são esperadas ondas de calor mais frequentes e períodos secos, conforme descrito na nota do Cemaden.

Probabilidade e intensidade

Há cerca de 80% de chance do El Niño se estabelecer no Oceano Pacífico no segundo semestre, conforme relatado por Marengo. A intensidade ainda não pode ser prevista com precisão, sendo especulação classificar o fenômeno como moderado, forte ou muito forte. É certo que a partir de setembro o calor aumentará significativamente.

Impactos globais

El Niño ocorre quando a temperatura do Pacífico equatorial fica pelo menos 0,5°C acima da média por três meses consecutivos, generando uma enorme área de água quente equivalente ao tamanho da Amazônia Legal. Essa energia acumulada altera padrões de vento e umidade, causando calor extremo, secas e inundações.

Quando e como afeta

Os primeiros sinais aparecem próximo ao Natal, daí a origem do nome, mas o fenômeno se desenvolve entre abril e junho, intensificando seus efeitos entre outubro e fevereiro do ano seguinte.

Marengo destaca que os modelos climáticos perdem precisão para prever intensidade além de dois meses. Se o El Niño for forte, o calor no Brasil e no mundo poderá superar os níveis de 2024.

Fatores agravantes

O calor será intensificado pelo efeito combinado do El Niño e do aumento geral da temperatura da Terra, que vem atingindo níveis históricos entre 2015 e 2025. O desmatamento também contribui para o aquecimento ao reduzir a cobertura vegetal que protege o solo e mantém a umidade.

Riscos do calor extremo

Marengo ressalta que calor prolongado é um perigo silencioso, agravando doenças, reduzindo produtividade agrícola, destruindo plantações, causando incêndios e afetando vida animal. A extensão das ondas de calor é mais preocupante que os picos isolados de temperatura.

Nos últimos cinco anos, as ondas de calor aumentaram em frequência e área afetada, com Sudeste e Centro-Oeste sendo os mais atingidos. O aumento das temperaturas mínimas noturnas impede o descanso do corpo, elevando riscos à saúde, especialmente para quem não tem ar condicionado.

Consequências econômicas e sociais

O uso do ar condicionado para aliviar o calor pode triplicar a conta de energia elétrica, enquanto a produção agrícola sofre com o calor e a seca, elevando preços dos alimentos, especialmente hortifrutigranjeiros.

Clima nas diferentes regiões

  • Sudeste: O calor é predominante, sem aumento significativo nas chuvas extremas.
  • Sul: Possível aumento das chuvas aumentando o risco de deslizamentos e enchentes em diversas áreas, afetando regiões metropolitanas e o litoral.
  • Amazônia: Impacto limitado no ciclo das cheias, com possível atraso no início do novo ciclo hidrológico.
  • Nordeste: Potencial atraso no período de chuvas, prejudicando o enchimento de barragens e agravando situações de seca.
  • Centro-Oeste: A combinação de seca, calor e baixa umidade pode aumentar o risco de incêndios a partir de agosto, com atenção especial ao Pantanal.

Considerações finais

O fenômeno climático El Niño traz desequilíbrios que afetam o Brasil de diversas formas, exigindo atenção e preparação para lidar com períodos de calor intenso e possíveis eventos extremos. Conforme explicado por José Marengo, mesmo com incertezas na intensidade exata, os impactos são significativos e devem ser minimizados com políticas ambientais e de adaptação climática.

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