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Conflito no Oriente Médio eleva preço dos combustíveis no DF

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Os efeitos da guerra no Oriente Médio já estão sentindo nos preços dos combustíveis no Distrito Federal. Postos de gasolina na capital registraram aumento nos valores nesta quinta-feira (5), após as distribuidoras repassarem um reajuste de R$ 0,20 no litro do diesel e R$ 0,03 na gasolina. Esse aumento acontece seis dias após o início do conflito, desencadeado por ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, no sábado (28) passado, o que aumentou a tensão na região e pressionou o mercado mundial de petróleo.

Em uma visita realizada a diversos postos na capital, constatou-se que o preço do litro da gasolina, que antes era R$ 6,42, subiu para cerca de R$ 6,45. O diesel, que custava R$ 6,69, chegou a R$ 6,89. Em Águas Claras, a gasolina foi vendida por R$ 6,49 e o etanol por R$ 5,29. Na Asa Sul, a gasolina estava a R$ 6,39, o etanol a R$ 5,90 e o diesel a R$ 5,99.

De acordo com Paulo Tavares, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF), o aumento já está sendo aplicado pelas distribuidoras em quase todo o país, apesar de não haver um reajuste oficial da Petrobras. “Embora a Petrobras não tenha alterado os preços, existe uma defasagem de cerca de 70 centavos na gasolina e de aproximadamente R$ 1,60 no diesel em relação ao mercado internacional. As distribuidoras já aplicaram o reajuste, com a gasolina subindo três centavos e o diesel subindo 20 centavos”, explicou.

Tavares destacou que o aumento maior no diesel está relacionado à necessidade de importação. “O Brasil produz cerca de 75% do diesel consumido em suas refinarias e é autossuficiente em petróleo, mas os outros 25% são importados. Esse reajuste maior no diesel está ligado aos custos da importação, que refletem o mercado internacional”, completou.

Efeito do Conflito

César Bergo, economista e professor de mercado financeiro da Universidade de Brasília (UnB), afirma que conflitos em regiões produtoras de petróleo normalmente causam impacto imediato nos mercados globais.

Segundo ele, mesmo com parte do combustível sendo produzido no país, o Brasil é diretamente afetado pelas flutuações internacionais. “Quando há conflito em uma área estratégica para a produção e distribuição do petróleo, o mercado reage rapidamente pela expectativa de queda na oferta ou problemas logísticos. Isso eleva o preço internacional do barril e, consequentemente, influencia os combustíveis vendidos no Brasil”, explicou.

Bergo ressalta que o reajuste das distribuidoras já reflete essa situação, apesar de outros fatores também influírem no preço. “A formação dos preços considera o mercado internacional, o câmbio, os custos de importação e as políticas de preços das empresas. O conflito aumenta a instabilidade e pressiona os preços para cima”, disse.

Ele alerta que, caso o conflito continue, novos aumentos podem acontecer nas próximas semanas, especialmente no diesel, que depende mais da importação. “Se a guerra persistir e impactar o mercado de petróleo, é provável que os preços subam ainda mais, principalmente para os combustíveis com maior dependência externa”, afirmou.

A Petrobras afirmou que monitora diariamente o mercado internacional e seus efeitos no Brasil, buscando evitar repasses imediatos da volatilidade externa para os preços internos. A empresa destaca que sua política visa garantir estabilidade e evitar aumentos frequentes para os consumidores.

Para trabalhadores que dependem do carro, até pequenos aumentos no preço do combustível afetam o orçamento. O motorista de aplicativo Gabriel Campos, 26 anos, residente em Planaltina, conta que busca sempre postos com descontos para economizar. “Alguns postos cobram quase R$ 7 pelo litro da gasolina. Para quem trabalha dirigindo, qualquer aumento pesa. Costumo gastar cerca de R$ 3 mil por mês com combustível, e conseguir desconto pode diminuir esse valor para cerca de R$ 2.600 ou R$ 2.700, o que faz muita diferença no final do mês”, comentou.

Gabriel está preocupado com os desdobramentos do conflito. “Acompanhar essas notícias é importante, pois geralmente afeta o preço dos combustíveis aqui. O aumento do diesel impacta também o custo do transporte e gera pressão nos preços em geral. Quem depende do carro para trabalhar sente esse efeito primeiro”, concluiu.

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