Centro-Oeste
DF gasta mais de R$ 3 bilhões com transporte público em 2025
O Distrito Federal investiu mais de R$ 3 bilhões no transporte público durante o ano de 2025. Desse total, o governo arcou com mais de R$ 2,3 bilhões para manter o sistema em funcionamento, conforme dados divulgados pela Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF).
Essas informações foram disponibilizadas por meio de um portal público de transparência criado para informar os cidadãos sobre as operações do transporte público. O painel contém dados detalhados sobre as empresas responsáveis pelo serviço, linhas de ônibus, receitas e despesas, viagens efetuadas, frotas e o perfil dos usuários.
Deputado Max Maciel destacou que é fundamental que a população tenha acesso aos custos do sistema e saiba como os recursos públicos são utilizados pelas concessionárias. Segundo ele, a transparência ajuda a garantir que o dinheiro seja bem aplicado e permite que os usuários cobrem melhorias no serviço.
O secretário da Semob, Zeno Gonçalves, explicou que as informações já estavam disponíveis, porém dispersas em diferentes plataformas. O novo portal facilita o acesso e reforça o compromisso do governo com a prestação de contas sobre o transporte público. Ainda ressaltou que o subsídio dado pelo governo torna as tarifas mais acessíveis para a população.
No DF, as passagens custam atualmente R$ 5,50, R$ 3,80 e R$ 2,70, valores congelados até o final de 2026, enquanto em cidades vizinhas as tarifas são mais altas, chegando a até R$ 12,35.
O sistema conta com 19 operadoras e aproximadamente 986 linhas. As cinco maiores concessionárias responderam por um custo de quase R$ 2,9 bilhões em 2025, realizando 338 milhões de viagens. Desses custos, cerca de R$ 2,2 bilhões foram pagos pelo governo local e o restante pelos usuários.
O volume de gratuidades gerou um custo de aproximadamente R$ 977 milhões, incluindo benefícios como o passe livre estudantil, que teve 60 milhões de acessos e custo de R$ 553,7 milhões, além de transporte gratuito para idosos, pessoas com deficiência e vítimas de violência doméstica.
A tarifa técnica, que representa o custo real do serviço, é maior do que o valor pago pelos usuários. Enquanto o passageiro desembolsa R$ 5,50 na tarifa da Viação Marechal, o custo técnico é de R$ 11,33. As outras concessionárias também apresentam valores técnicos superiores às tarifas cobradas.
O Metrô-DF teve mais de 41 milhões de acessos em 2025, com destaque para a estação Central, a mais movimentada, que recebeu 5,5 milhões de usuários, e a estação 110 Sul, com o menor número de acessos, apenas 353.
Desafios para os rodoviários
Segundo Daniel de Souza, despachante de uma importante empresa, apesar do volume de recursos destinados ao transporte, os trabalhadores enfrentam dificuldades no dia a dia. Aumentar a frota poderia melhorar o atendimento aos usuários e as condições de trabalho dos motoristas, que sofrem com o estresse causado pelos atrasos e trânsito intenso.
Dificuldades dos usuários
Caroline Belfort, cadeirante e usuária do transporte público no DF, relata que pessoas com deficiência ainda enfrentam muitos obstáculos. Embora haja ônibus equipados com elevadores, falta conscientização dos motoristas e passageiros, o que dificulta o uso do sistema por essas pessoas.
Ela também comentou que, apesar do elevado investimento público, o transporte ainda apresenta muitos problemas e acredita que os recursos poderiam ser aplicados de forma mais eficiente para melhorar a qualidade do serviço.


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