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Cuba e EUA iniciam diálogo ainda em fase inicial, diz vice-chanceler

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O diálogo entre Cuba e Estados Unidos representa um caminho para reduzir as tensões crescentes entre os dois países, mas ainda está em um estágio muito inicial, afirmou nesta terça-feira (7) à AFP a Josefina Vidal, vice-ministra das Relações Exteriores de Cuba e uma das principais responsáveis pela reabertura das relações diplomáticas entre as duas nações em 2015.

Josefina Vidal, 65 anos, falou durante uma manifestação de mulheres em Havana contra os impactos das sanções econômicas americanas, incluindo um bloqueio petrolífero que aumentou a pressão política entre os ex-adversários da Guerra Fria, que, porém, mantêm contato diplomático.

Ela explicou que “estamos em uma etapa muito inicial e ainda não existe uma negociação formal entre os governos”. Vidal teve papel fundamental na retomada das relações diplomáticas sob os governos de Raúl Castro e Barack Obama.

As relações entre Havana e Washington se complicaram ainda mais desde o final de janeiro, quando o presidente Donald Trump proibiu a exportação de petróleo para Cuba após os eventos envolvendo Nicolás Maduro, até então o principal aliado da ilha, e ameaçou punições contra países que enviassem petróleo bruto para Cuba.

Em fevereiro, o jornal The Miami Herald mencionou a participação de Vidal, junto com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, em contatos secretos com a equipe do secretário de Estado americano, Marco Rubio. No entanto, Havana não comentou essas informações.

O governo cubano confirmou em 13 de março que há diálogos com Washington para buscar soluções por meio do diálogo para as diferenças bilaterais. Nesse mesmo dia, começaram a libertação de presos políticos como parte de um acordo com o Vaticano, que tem atuado como mediador histórico entre os países.

Três semanas depois, Havana anunciou o indulto de mais de 2.000 detentos, porém até agora nenhum prisioneiro político foi beneficiado, conforme relatam ONGs de direitos humanos.

Mais de uma década após a histórica reaproximação entre as duas nações, que terminou com o primeiro mandato de Donald Trump, Josefina Vidal destacou que aquele processo foi construído rapidamente por ambas as partes com vontade política, porém agora o cenário é bastante diferente.

Ela afirmou que trabalham para criar uma relação que, apesar das diferenças, não as coloca como foco principal.

Vidal reforçou que Cuba sempre valorizou a negociação pacífica em vez do confronto.

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