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Dólar cai com expectativa de desfecho rápido no conflito do Oriente Médio
Após oscilar pela manhã, o dólar finalizou o dia em queda leve, acompanhando a tendência da moeda americana frente a diversas moedas emergentes e de países exportadores de commodities.
Sinais claros indicam que os Estados Unidos não desejam prolongar o conflito com o Irã, o que favoreceu os ativos de risco. Entretanto, notícias no fim do dia sobre minas no Estreito de Ormuz colocadas pelo Irã abalaram as bolsas americanas e limitaram a valorização do real.
O dólar à vista variou entre R$ 5,13 e R$ 5,14, fechando a R$ 5,1575, uma queda de 0,13%. Essa foi a terceira sessão consecutiva em baixa contra o real, culminando em uma redução acumulada de 2,45%. No começo de março, a moeda americana teve leve alta de 0,46%, mas acumula uma desvalorização de 6,04% no ano.
Apesar do real ter se destacado recentemente frente às moedas emergentes, hoje seu desempenho foi inferior ao de vários pares, devido a ajustes técnicos e realização de lucros. Destaque para o peso chileno, que subiu mais de 2,5%, impulsionado pela alta do cobre e dados comerciais positivos na China.
Felipe Garcia, chefe da mesa de operações do C6 Bank, observa que, após o momento inicial de aversão ao risco causado pelo conflito, o real e outras moedas latino-americanas mostraram resiliência diante da volatilidade do preço do petróleo.
“Estamos fora da zona de conflito e o Brasil é exportador de petróleo, o que diferencia o real das outras moedas”, afirma Garcia. “O mercado demonstra alívio, precificando a possibilidade de um término rápido do conflito, refletido na queda do petróleo.”
Os preços do petróleo caíram mais de 10%, com relatos de trânsito livre no Estreito de Ormuz e previsões de maior oferta pela Agência Internacional de Energia. A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou que o presidente dos EUA, Donald Trump, está disposto a usar todas opções relacionadas ao petróleo.
Na segunda-feira à tarde, Trump declarou que a campanha militar contra o Irã avançava rapidamente e poderia terminar em breve, provocando queda global do dólar.
Ontem, o presidente reafirmou a disposição para negociações com o Irã, que mostra sinais de abertura ao diálogo. Analistas acreditam que Trump tenta conter o impacto da alta dos combustíveis em sua popularidade, em vista das eleições legislativas de novembro.
O economista Robin Brooks, do Brookings Institute, publicou na rede social X: “Trump afirmou que a guerra terminará logo, o petróleo caiu. A melhor estratégia é evitar especulações e focar nas diferenças dos mercados emergentes. Essa tendência já beneficia Brasil e África do Sul.“
Após dados fracos no relatório de empregos de fevereiro, investidores aguardam a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) para fevereiro, que deve influenciar as apostas sobre a política do Federal Reserve.
Espera-se que o banco central dos EUA mantenha a taxa básica inalterada em sua reunião da próxima semana. Existe expectativa de retomada dos cortes na segunda metade do ano, com dúvidas entre julho e setembro.
Segundo Garcia, a tendência de enfraquecimento do dólar frente às moedas emergentes permanece, mesmo após recente alta da moeda americana.
Ele destaca que o índice DXY ficou abaixo dos 100.000 pontos mesmo em momentos críticos. “A perspectiva é um dólar mais fraco, com câmbio próximo a R$ 5,00, condicionado a um desfecho rápido e positivo para os EUA no conflito.”

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