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Economia

Dólar cai levemente com atenção ao conflito no Oriente Médio

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Após instabilidade e variações pela manhã, o dólar encerrou a terça-feira, 10, em queda no mercado local, acompanhado pela tendência da moeda americana frente a outras moedas de países emergentes e exportadores de commodities.

Sinais constantes indicam que os Estados Unidos não desejam prolongar o conflito com o Irã, permitindo uma recuperação nos ativos mais arriscados. Notícias de última hora dando conta de que o Irã estaria instalando minas no Estreito de Ormuz abalaram bolsas em Nova York e reduziram o fôlego do real.

O dólar à vista oscilou entre R$ 5,13 e R$ 5,14 e fechou em baixa de 0,13%, a R$ 5,1575, distante da mínima de R$ 5,1328.

Esta foi a terceira sessão seguida de queda do dólar frente ao real, acumulando perda de 2,45% no período. No início de março, a moeda americana apresenta alta moderada de 0,46%, enquanto no ano acumula desvalorização de 6,04%.

Embora o real tenha se destacado recentemente entre as moedas emergentes, nesta terça se mostrou mais fraco que a maioria de seus pares, devido a ajustes técnicos e realização de lucros, conforme operadores. O peso chileno, por exemplo, ganhou mais de 2,5% impulsionado pela alta do cobre, favorecida por dados positivos da balança comercial chinesa.

Felipe Garcia, chefe da mesa de operações do C6 Bank, observa que, após a fase inicial de aversão ao risco gerada pelo início do conflito no Oriente Médio, o real e as demais moedas latino-americanas se mantiveram relativamente estáveis apesar da volatilidade acentuada nos preços do petróleo.

“Estamos numa região fora da zona de conflito e o Brasil é exportador de petróleo. Isso ajudou o real a se diferenciar das outras moedas”, explica Garcia. “O mercado aparenta um certo alívio hoje, prevendo que o conflito pode se encerrar mais rápido do que o esperado, refletido na queda do preço do petróleo.”

Os preços do petróleo caíram mais de 10% com relatos de trânsito marítimo normal no Estreito de Ormuz — canal por onde aproximadamente 20% da oferta mundial da commodity é escoada — e indicações da Agência Internacional de Energia de que a oferta do óleo deverá aumentar. Karoline Leavitt, secretária de Imprensa da Casa Branca, afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, não hesitará em usar todas as opções referentes à questão do petróleo.

Na segunda à tarde, Trump declarou que a campanha militar contra o Irã está “muito adiantada” e poderá terminar em breve, provocando uma queda global da moeda americana.

Na terça, Trump reafirmou sua disposição para negociar com o Irã, que teria sinalizado intenção de iniciar conversações. Analistas creem que Trump busca conter a escalada dos preços dos combustíveis para preservar sua popularidade visando as eleições legislativas de meio de mandato em novembro.

Robin Brooks, economista do Brookings Institute, comentou via rede social X: “Trump afirmou ontem que a guerra vai acabar em breve. O preço do petróleo caiu. Melhor evitar especulações sobre o petróleo e focar nas diferenças entre os mercados emergentes. Esse movimento começou há alguns dias e está beneficiando Brasil e África do Sul.”

Após dados fracos do mercado de trabalho no relatório de empregos de fevereiro, divulgado na última sexta-feira, 6, investidores aguardam o índice de preços ao consumidor (CPI) de fevereiro, que será divulgado na quarta-feira, 11, para ajustar expectativas sobre as próximas decisões do Federal Reserve, banco central dos EUA.

Espera-se que o Fed mantenha a taxa básica sem alteração em sua reunião da próxima semana, dia 18. A perspectiva é de retomada do ciclo de cortes na segunda metade do ano, com dúvidas entre julho e setembro.

Garcia reforça que a tendência de enfraquecimento do dólar frente às moedas emergentes permanece, apesar da recente alta temporária da moeda americana.

Ele destaca que o índice DXY manteve-se abaixo dos 100.000 pontos mesmo nos períodos de maior instabilidade. “A tendência é por um dólar mais fraco, podendo o câmbio se aproximar dos R$ 5,00. Claro que isso depende de um desfecho rápido e favorável da guerra para os Estados Unidos”, finaliza Garcia.

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