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Endividamento sobe a recorde de 80,4% em março, diz CNC; inadimplência estabiliza em 29,6%

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Os brasileiros acumularam mais dívidas entre fevereiro e março, conforme divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A quantidade de famílias endividadas alcançou um recorde de 80,4% em março, ligeiramente acima dos 80,2% registrados em fevereiro, e superior aos 77,1% de março de 2025. Os números vêm da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

De acordo com a CNC, o aumento das dívidas deve continuar até que as reduções recentes da taxa básica de juros, a Selic, tenham impacto real nas despesas do consumidor final.

CNC destaca que a combinação dos juros elevados com o aumento dos preços do diesel e outros combustíveis tem provocado incertezas sobre a inflação. Esse aumento nos custos de transporte afeta os preços dos produtos, diminuindo o poder de compra das famílias e fazendo com que muitas usem crédito para cobrir necessidades básicas.

A pesquisa contabiliza como dívidas as parcelas a pagar em cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações relacionadas a veículos e imóveis.

Em declaração, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou: “A taxa Selic elevada é, há meses, um obstáculo tanto para empreendedores quanto para consumidores. Embora a redução gradual dos juros tenha iniciado, é esperado que leve meses até que o alívio das medidas monetárias se reflita na menor quantidade de famílias endividadas.”

Houve uma pequena melhora na proporção de pessoas que se consideram “muito endividadas”, passando de 16,1% em fevereiro para 16,0% em março. A média da renda comprometida com dívidas recuou levemente, de 29,7% para 29,6%.

A parcela de famílias inadimplentes permaneceu constante em 29,6% em março, igual ao registrado em fevereiro, embora este índice fosse um pouco menor, 28,6%, em março do ano anterior.

Além disso, a porcentagem de famílias que acreditam não ter condições de pagar suas dívidas atrasadas diminuiu de 12,6% para 12,3% entre fevereiro e março. Em comparação, em março de 2025, essa taxa era de 12,2%.

O crescimento do endividamento em março foi mais pronunciado entre os grupos com rendas mais altas. No segmento com renda familiar mensal de até três salários mínimos, a proporção de endividados manteve-se estável em 82,9%. Na classe média baixa, de três a cinco salários mínimos, houve um leve recuo de 82,9% para 82,6%.

Nas famílias com renda entre cinco e dez salários mínimos, o percentual de endividados subiu de 78,7% para 79,2%, enquanto no grupo com mais de 10 salários mínimos mensais, esse valor passou de 69,3% para 69,9%.

Quanto à inadimplência, no grupo de até três salários mínimos, houve queda de 38,9% para 38,2%, e na classe média baixa, de 29,1% para 28,7%. Já na faixa de cinco a dez salários mínimos, houve ligeiro aumento, de 21,7% para 22,1%, e no grupo com mais de 10 salários mínimos, houve queda de 14,8% para 14,7%.

O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, comentou que estão surgindo novas revisões nas expectativas de inflação para os próximos meses, o que pode impactar desproporcionalmente o orçamento das famílias com menor renda.

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