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Estudantes pedem ação contra assédio após caso grave no colégio

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Estudantes do Colégio Pedro II organizaram uma manifestação nesta terça-feira (10) para exigir a efetivação de uma política interna de combate ao assédio e à discriminação, que, apesar de aprovada no ano anterior, ainda não havia sido implementada. Essa mobilização foi motivada pelo caso de estupro coletivo envolvendo uma adolescente de 17 anos em Copacabana, em que dois dos envolvidos estudaram na mesma instituição.

O plano aprovado pela escola visa criar um ambiente escolar seguro e respeitoso, por meio de campanhas educativas e ações de conscientização dirigidas à comunidade escolar. Além disso, o documento propõe a criação de canais institucionais para acolher e orientar vítimas e testemunhas, assim como medidas de proteção durante investigações, como a transferência de turma ou setor e o afastamento entre as partes envolvidas.

“Nossa principal demanda é que o plano seja publicado e colocado em prática. Ele foi desenvolvido para melhorar o suporte às vítimas e garantir um espaço seguro na escola para que denúncias de violência possam ser feitas”, declara Ana Belarmino, estudante de 20 anos da instituição.

O Plano Setorial de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação foi aprovado pelo Conselho Superior em 2025, mas dependia da publicação de uma portaria da reitoria para entrar em vigor. Essa portaria foi assinada na segunda-feira, véspera do protesto realizado pelos estudantes. A proposta oferece várias medidas institucionais para prevenir e enfrentar casos de violência, assédio e discriminação no ambiente escolar.

Entre as iniciativas estão a promoção de campanhas educativas, ações de conscientização e formação para toda a comunidade escolar, além da criação de canais para atendimento e orientação de vítimas e testemunhas. O plano também inclui medidas de proteção durante a apuração das denúncias, como a mudança de turma ou setor e o afastamento entre denunciante e denunciado.

“É fundamental que a escola tenha uma estrutura pronta para receber denúncias e acompanhar os casos. O plano cria esses caminhos institucionais para que vítimas e testemunhas saibam onde buscar ajuda”, afirma a estudante.

De acordo com Priscila Bastos, professora dos anos iniciais do Colégio Pedro II e presente na manifestação, o tema da criação de uma política institucional contra o assédio e a violência na escola tem sido discutido há anos.

“Este assunto é debatido internamente e com diferentes setores da comunidade escolar há algum tempo, com o objetivo de criar mecanismos institucionais que identifiquem, acolham e encaminhem esses casos de forma organizada”, explica.

O plano também prevê a criação da Comissão Permanente para a Prevenção e Enfrentamento aos Assédios Moral e Sexual, Importunação Sexual, Discriminações, Racismo e Injúria Racial (Compa), que terá a função de receber relatos, orientar denunciantes e acompanhar os processos dentro da instituição. Essa comissão visa oferecer um espaço institucional para escuta e suporte às situações relatadas por estudantes, servidores ou responsáveis.

A professora destaca que a necessidade de uma estrutura própria na escola surgiu da percepção de que os canais existentes na administração pública federal não eram suficientes para tratar adequadamente essas situações no dia a dia escolar.

“Não se trata somente de um protocolo, mas de uma política que cria uma estrutura específica para lidar com casos de assédio, violência, discriminação e racismo na escola”, ressalta.

Embora já existam canais como ouvidorias e o sistema FalaBR, a comunidade avaliou que era imprescindível desenvolver mecanismos internos que tratem essas questões também sob uma ótica educativa e preventiva.

Segundo Sandro Justo, professor e também presente na manifestação, é importante envolver educadores homens no diálogo com estudantes sobre violência de gênero e machismo, pois enfrentar esses casos requer a participação de toda a comunidade escolar, incluindo estudantes, servidores, famílias e gestores, para ampliar o debate e revelar problemas muitas vezes invisíveis no cotidiano escolar.

“Uma das tarefas fundamentais é que educadores homens assumam a responsabilidade de conversar com os meninos sobre respeito, machismo e violência. Muitas vezes, esses professores conseguem abordar questões de modo diferente e estabelecer pontes importantes para o diálogo”, afirma.

Ele acrescenta que essa participação representa uma forma de responsabilização coletiva frente ao problema.

“Os homens compõem parte do problema, e por isso precisam integrar também a solução”, conclui.

A assessoria do Colégio Pedro II informou que só irá se posicionar sobre o tema na quarta-feira. A escola manteve o espaço aberto para manifestações.

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