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Ex-sargento condenado por assassinato é enfermeiro aposentado no DF

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Antônio Nazareno Mortari Vieira, ex-terceiro sargento do Exército Brasileiro, condenado pelo assassinato do jornalista Mário Eugênio, trabalhou durante 12 anos como professor na Secretaria de Educação do Distrito Federal (DF) e, atualmente, com 66 anos, é enfermeiro aposentado da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF). Ele atuou como enfermeiro por 18 anos, recebendo um salário acima de R$ 17 mil. Durante mais de 13 anos, acumulou os dois cargos públicos.

Nazareno foi inicialmente condenado a 34 anos de prisão por sua participação no homicídio e outros crimes ocorridos em Cocalzinho (GO), região do Entorno do DF. Após unificação das penas, sua condenação foi reduzida para 24 anos em decorrência de um indulto judicial.

O condenado cumpriu pena de 1985 a 1991 e obteve progressão para o regime aberto em 1994. Ele completou sua pena integral em janeiro de 2009, mas continuou se comportando como se estivesse em regime aberto até julho de 2010, quando uma nova condenação de 23 anos foi imposta pelos crimes cometidos na cidade de Cocalzinho. Atualmente ele deve cumprir pena até 2033.

No seu currículo acadêmico disponível, Antônio Nazareno consta como professor universitário no Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos (Uniceplac), onde ministra disciplinas como Anatomia Aplicada, Semiologia e Semiotécnica, Farmacologia Aplicada e Urgência e Emergência. Como enfermeiro, atuou no Hospital de Base do DF (HBDF).

Após sua segunda condenação, permaneceu preso até 2012, sendo beneficiado com regime semiaberto. Tentou recurso para integração de penas visando inocência, mas, após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), retornou ao presídio em 2015. Posteriormente, conseguiu progressão de regime.

Nazareno se formou em enfermagem pela Universidade de Brasília (UnB) em 1996. Em 1984, ano dos crimes, concluiu graduação em Educação Física pela Faculdade Dom Bosco.

Em 2012, o Ministério Público de Contas questionou sua admissão em cargos públicos, ocorrida enquanto cumpria pena, mas o Tribunal de Contas do DF entendeu que não houve irregularidade, pois ele cumpria regime aberto com bom comportamento. Ainda assim, foi demitido da Secretaria de Educação em 2013 por abandono de cargo.

O tribunal citou entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) indicando que posse de condenado é possível mesmo com suspensão de direitos políticos, se o crime não for incompatível com o cargo.

Em 2010, Antônio Nazareno foi promovido a assistente superior de saúde e aposentou-se em 2018, mas foi convocado pela SES-DF durante a pandemia de Covid-19, em 2021.

Crime planejado em churrasco

Na noite de 11 de novembro de 1984, o repórter policial Mário Eugênio Rafael de Oliveira, 31 anos, foi assassinado no estacionamento da Rádio Planalto, Asa Sul. Ele denunciava grupos de extermínio no DF e Entorno.

Investigação da época revelou que Nazareno, armado e fazendo escolta, auxiliou na execução do crime ao informar o paradeiro da vítima. Ele acompanhava em veículo Fiat junto com outro acusado preparados para impedir interferências.

O Ministério Público apurou que o homicídio foi planejado um mês antes, durante churrasco na casa de Nazareno para despedida de militares. Outros cinco também foram denunciados e julgados, com penas variadas e em sua maioria responderam em liberdade.

O então secretário de Segurança Pública do DF e delegado titular da Polícia Civil foram apontados como mandantes, mas processos foram arquivados pelo Supremo Tribunal Federal por falta de provas.

Outros envolvidos

  • Divino José de Matos (Divino 45): executou o assassinato com armas calibre 12 e revólver, foi condenado a 14 anos e cumpriu pena na Papuda; recebeu parecer favorável ao indulto em 2010.
  • David Antônio do Couto: dirigiu o veículo utilizado para fuga, cumpriu pena mínima e respondeu em liberdade.
  • Iracildo José de Oliveira: companheiro de Nazareno no Fiat, condenado a 2 anos e 6 meses e faleceu em 1999.
  • Aurelino Silvino de Oliveira: simulou diligência policial próximo ao local do crime; paradeiro desconhecido.
  • Moacir de Assunção Loiola: suspeito, faleceu aproximadamente um ano após o crime em circunstâncias controversas.

Antônio Nazareno foi também testemunha em outros casos importantes envolvendo militares. Apesar da vida acadêmica e profissional ativa, mantém perfil discreto nas redes sociais sem imagens recentes. Defesa não localizada; canais para manifestação permanecem disponíveis.

SES-DF e Uniceplac foram contatadas sem retorno até o momento.

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