Centro-Oeste
Início do Julgamento da Chacina no DF
O julgamento de cinco acusados pela morte de 10 pessoas de uma mesma família no Distrito Federal começa nesta segunda-feira, 13 de abril, às 9h, no Fórum de Planaltina. Os réus são Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva. Eles enfrentam acusações por homicídios qualificados, extorsão, roubo, sequestro, constrangimento ilegal, fraude processual, corrupção de menores, ocultação e destruição de cadáver, entre outros crimes.
Os crimes aconteceram entre outubro de 2022 e janeiro de 2023. A investigação mostrou que o grupo planejava tomar posse da chácara Quilombo, no Itapoã, pertencente a Marcos Antônio Lopes de Oliveira, e roubar dinheiro da família dele. O plano inicial era matar Marcos e sequestrar membros da família.
Em 27 de dezembro de 2022, Gideon, Horácio e Carlomam, acompanhados por um adolescente, renderam Marcos, sua esposa Renata Juliene Belchior e sua filha Gabriela Belchior de Oliveira na casa da família. Eles roubaram cerca de R$ 49,5 mil e levaram as três vítimas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina. Lá, Marcos foi assassinado por Gideon e Horácio, e seu corpo foi enterrado com ajuda de Carlomam e do adolescente. As mulheres foram mantidas vivas no local.
Na manhã seguinte, Fabrício ficou responsável pela vigilância do cativeiro. O adolescente fugiu, e Renata e Gabriela foram ameaçadas para fornecer senhas de celulares e contas bancárias. Com os aparelhos, o grupo monitorou Cláudia da Rocha Marques, ex-esposa de Marcos, e Ana Beatriz Marques de Oliveira, sua filha, para atraí-las e roubar R$ 200 mil de uma venda de lote.
Entre 2 e 4 de janeiro de 2023, Gideon, Horácio e Carlomam renderam Cláudia e Ana Beatriz, amarraram-nas e as levaram ao cativeiro. Elas também foram forçadas a fornecer senhas. A partir dos celulares, o grupo identificou Thiago Gabriel Belchior de Oliveira, filho de Marcos e Renata, como ameaça e decidiu matá-lo.
Em 12 de janeiro, usando os celulares das vítimas, atraíram Thiago à Chácara Quilombo, onde foi rendido por Carlomam e Carlos Henrique, com Horácio fingindo ser vítima. Thiago foi levado ao cativeiro e ameaçado para dar a senha do celular. Com o aparelho, contataram Elizamar, esposa de Thiago, e a atraíram junto com os três filhos. Todos foram capturados, amarrados e levados a Cristalina, em Goiás, onde foram estrangulados até a morte. Os corpos foram queimados dentro do carro de Elizamar.
De volta ao cativeiro, Gideon, Horácio e Carlomam decidiram eliminar as outras vítimas para esconder os crimes. Em 14 de janeiro, Renata e Gabriela foram levadas a Unaí, em Minas Gerais, estranguladas e queimadas. Fabrício, após uma briga, abandonou o grupo.
No dia 15 de janeiro, Gideon mandou que Horácio e Carlomam matassem Cláudia, Ana Beatriz e Thiago. Eles foram levados a uma cisterna perto do cativeiro e mortos a facadas, com os corpos escondidos no local. Fabrício e Horácio voltaram ao cativeiro e atearam fogo a objetos das vítimas para atrapalhar a investigação.
A denúncia foi feita pela Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Planaltina, no processo número 0700144-92.2023.8.07.0021.
*Com informações do MPDFT

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