Mundo
Irã impõe condições e Vance adverte EUA para negociação com Teerã
O presidente do Parlamento iraniano exigiu nesta sexta-feira (10) uma trégua no Líbano e o desbloqueio dos ativos iranianos antes de iniciar qualquer diálogo de paz com os Estados Unidos. Esta posição gera incertezas sobre as conversas que ocorrerão no Paquistão, onde o vice-presidente americano, JD Vance, estará presente.
Por outro lado, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o Irã não possui cartas fortes para negociar, além do controle temporário do Estreito de Ormuz — uma rota crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos — e ameaçou novos ataques caso as conversas falhem.
Antes disso, o chefe do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, informou que duas condições precisam ser cumpridas: um cessar-fogo no Líbano e o desbloqueio dos ativos iranianos, antes de iniciar as negociações, conforme comunicado em sua conta no X.
Atualmente, entre 100 e 120 bilhões de dólares em ativos do Irã permanecem congelados no exterior devido às sanções impostas pelos EUA, conforme relatado pela especialista das Nações Unidas, Alena Douhan.
JD Vance, por sua vez, alertou o Irã para não provocar Washington, em meio a intensas divergências e acusações de descumprimento do cessar-fogo.
Desde a trégua acordada por duas semanas, Teerã e Washington apresentam relatos contraditórios sobre a inclusão do Líbano no acordo: o Irã confirma, mas os EUA negam.
Israel, por sua vez, mantém sua posição firme para continuar enfrentando o movimento islamista pró-Irã Hezbollah.
No dia 8 de março, ocorreram ataques no Líbano que resultaram em 357 mortes, segundo os últimos dados, com Israel alegando ter eliminado 180 combatentes do Hezbollah.
Esses ataques foram os mais fatais desde o início do conflito no Oriente Médio em 28 de fevereiro, envolvendo ações de EUA e Israel contra o Irã.
Na sexta-feira, 13 integrantes das forças de segurança libanesas perderam a vida em ataques no sul do país, conforme informações da agência de notícias local.
Negociações no Paquistão
Enquanto espera a chegada dos negociadores, Islamabad está sob alta vigilância, transformando-se em uma cidade praticamente deserta. As negociações estão agendadas para ocorrer em um hotel de luxo.
Embora as delegações tenham sido convidadas para se reunir na sexta-feira, JD Vance deverá chegar apenas no sábado pela manhã.
Antes de partir da Base Conjunta Andrews em Washington, Vance expressou otimismo, afirmando que buscarão manter um diálogo construtivo.
Ele ressaltou que os americanos estão dispostos a negociar de forma honesta, mas advertiu que qualquer tentativa de engano resultará em resposta firme da equipe de negociação.
Ao lado de JD Vance estão o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.
No Irã, ainda não está certo se a delegação participará das conversas em Islamabad. O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, afirmou que o progresso dependerá do respeito ao cessar-fogo, especialmente no Líbano.
Apesar das garantias do Paquistão de que o cessar-fogo seria abrangente, incluindo o território libanês, Israel e os EUA discordam dessa interpretação.
Entre os iranianos, há certo ceticismo sobre a posição dos EUA, representado pela opinião de um jovem residente de Teerã que acredita que as declarações do presidente americano não são confiáveis e que o cessar-fogo pode ser frágil.
Diálogo entre Líbano e Israel
Simultaneamente, o Líbano e Israel planejam iniciar negociações em Washington na próxima semana, segundo fontes americanas.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou o início de negociações diretas com Beirute, iniciativa rejeitada pelo Hezbollah.
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, fez um apelo para que os dirigentes libaneses evitem concessões gratuitas a Israel.
Desafios nas negociações
Mesmo com as conversações em curso, os pontos de vista opostos em questões essenciais dificultam a possibilidade de acordo.
O chefe da Organização de Energia Atômica do Irã descartou limitar o enriquecimento de urânio, uma demanda central de Israel e EUA, que temem que o Irã busque desenvolver armamento nuclear.
Também permanece complexa a situação do Estreito de Ormuz, uma passagem vital para o petróleo mundial. Apesar da reabertura prevista no cessar-fogo, poucos navios têm transitado pela região desde então.
Nas redes sociais, Donald Trump criticou o Irã por supostamente descumprir os termos do acordo e por não garantir efetivamente a passagem pelo Estreito de Ormuz.
Dada a fragilidade do cessar-fogo, os mercados financeiros mantém cautela, e o preço do petróleo permanece estável abaixo de 100 dólares.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login