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Líbano em dor após ataques israelenses ameaçam paz entre EUA e Irã

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O Líbano está vivendo um dia de luto nacional, nesta quinta-feira (9), após uma série de ataques intensos realizados por Israel, que resultaram em mais de 200 mortos e ameaçam o delicado cessar-fogo firmado entre os Estados Unidos e o Irã.

Washington e Teerã haviam declarado vitória após fecharem, na terça-feira, um acordo de trégua por duas semanas e iniciaram negociações para acabar com uma guerra que já causou milhares de mortes no Oriente Médio e provocou instabilidade econômica global.

No entanto, o acordo mostrou suas fragilidades rapidamente, quando na quarta-feira Israel lançou seus ataques mais violentos contra o Líbano desde que o grupo islâmico Hezbollah, apoiado pelo Irã, entrou no conflito em março.

O ministro da Saúde libanês, Rajan Nasreddine, atualizou a contagem oficial de vítimas: pelo menos 203 mortos e mais de 1.000 feridos nos ataques em Beirute e outras partes do país.

Israel declarou que o Líbano não faz parte da trégua estabelecida entre os EUA e o Irã, posicionamento reforçado pelo vice-presidente americano, JD Vance, responsável pelas negociações com Teerã no Paquistão, programadas para o final da semana.

“Se o Irã deseja que esta negociação fracasse por um conflito que não está relacionado com eles e que os Estados Unidos nunca incluíram no cessar-fogo, é uma escolha deles”, afirmou Vance.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou sua determinação em continuar atacando o Hezbollah se necessário.

“Nossa mensagem é clara: qualquer um que agir contra civis israelenses será atingido. Continuaremos atacando o Hezbollah onde for necessário, até restaurar a segurança no norte de Israel”, afirmou ele em sua conta no X.

O governo libanês declarou quinta-feira como um dia nacional de luto pelos civis mortos e feridos nos ataques israelenses que atingiram centenas de inocentes e indefesos.

Escritórios públicos fecharam e bandeiras foram hasteadas a meio mastro. Pouco depois, o Hezbollah respondeu lançou foguetes contra Israel, acusando-o de violar a trégua.

Repercussões e violações do cessar-fogo

Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, questionou a validade do cessar-fogo, apontando que três princípios do acordo já foram quebrados: os ataques ao Líbano, a entrada de um drone no espaço aéreo iraniano e a negação do direito do Irã de enriquecer urânio.

Um alto funcionário americano afirmou que o plano de 10 pontos apresentado pelo Irã não contempla as mesmas condições aceitas pela Casa Branca para cessar a guerra.

Os bombardeios que atingiram diversas regiões de Beirute causaram pânico entre os moradores, que correram em busca de abrigo. Ali Younes relatou o desespero das pessoas na região de Corniche al-Masraa.

O secretário particular e sobrinho do líder do Hezbollah, Naim Qassem, foi morto em um dos ataques, confirmou o exército israelense.

Segundo fontes libanesas, mais de 1.700 pessoas perderam a vida no país desde que Israel iniciou sua ofensiva aérea e terrestre no mês passado.

A Guarda Revolucionária do Irã declarou que responderá caso Israel não pare seus ataques no território libanês.

Enquanto isso, o presidente americano, Donald Trump, garantiu que as forças dos EUA permanecerão nas posições dentro e ao redor do Irã até a plena implementação do acordo.

Reações internacionais e negociações

Várias nações condenaram os ataques de quarta-feira no Líbano. A França classificou-os como “intoleráveis” e o Reino Unido solicitou a extensão do cessar-fogo para incluir o Líbano.

A União Europeia expressou preocupação de que esses bombardeios possam comprometer o cessar-fogo com o Irã.

O Paquistão deve sediar negociações de alto nível nesta semana, impulsionadas pelo acordo de trégua entre os EUA e o Irã.

Em preparação, o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan, conversou por telefone com seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, marcando o primeiro contato oficial entre os dois países desde o início do conflito em 28 de fevereiro.

Um ponto-chave de discordância permanece o Estreito de Ormuz, passagem vital para cerca de 20% do petróleo mundial e grande parte do gás natural e fertilizantes.

O Irã indicou rotas alternativas para navios que transitam pela região, citando riscos de minas marítimas, embora a permissão para passagem continue incerta.

Apesar da trégua, a mídia estatal iraniana relatou novos ataques com mísseis e drones contra países do Golfo aliados aos EUA, retaliando bombardeios a instalações petrolíferas iranianas.

Em Teerã, a situação nas ruas estava mais calma do que o habitual, com muitas lojas fechadas após uma noite tensa devido ao medo de ataques americanos intensos.

“Agora todos estão tranquilos”, disse Sakineh Mohammadi, dona de casa de 50 anos que expressou sentir orgulho do seu país.

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