Economia
Lufthansa suspende 20 mil voos curtos para economizar combustível
A Lufthansa optou por eliminar aproximadamente 20 mil voos de curta distância entre maio e outubro para diminuir o consumo de querosene, conforme reportado pelo Financial Times.
Essa decisão surge em um contexto de alta significativa nos preços do combustível de aviação, um reflexo dos conflitos no Oriente Médio que impactam a oferta mundial de petróleo e encarecem o querosene.
De acordo com o jornal, a empresa alemã já cortou cerca de 120 voos diários e planeja interromper rotas menos lucrativas partindo de seus principais centros operacionais, em Munique e Frankfurt, até o fim da temporada de verão europeu, que termina em meados de outubro.
O setor aéreo global enfrenta crescente pressão devido à guerra entre Estados Unidos e Irã, bem como ao fechamento do Estreito de Ormuz. Com os cancelamentos, a Lufthansa pretende economizar algo em torno de 40 mil toneladas métricas do combustível, cujo preço dobrou desde o início do conflito.
O Financial Times revelou que o plano detalhado para os próximos meses deve ser divulgado entre o final de abril e o início de maio, incluindo ajustes na programação de voos para garantir maior estabilidade durante o período de pico de demanda.
As medidas da Lufthansa foram confirmadas enquanto ministros europeus de transporte discutiam estratégias para evitar a escassez de querosene na região, após alerta da Agência Internacional de Energia sobre a possibilidade de os estoques na Europa durarem menos de seis semanas.
Autoridades da União Europeia estão considerando alternativas como aumentar as importações dos Estados Unidos e flexibilizar regras para abastecimento fora da região. Também avaliam suspender exigências relacionadas ao uso de slots de decolagem nos aeroportos.
A Comissão Europeia deve divulgar em breve planos para monitorar e possivelmente distribuir os estoques de querosene entre os países membros.
United Airlines ajusta previsão anual
A crise no setor já apresenta impactos globais. Companhias aéreas estão cortando rotas e repassando custos aos clientes. A United Airlines revisou sua projeção de lucros para 2026, agora estimando ganhos entre US$ 7 e US$ 11 por ação, uma queda em relação à previsão anterior de US$ 12 a US$ 14.
Essa revisão alinha a United a outras empresas do setor, como a Delta Air Lines, que manteve suas projeções sem atualização devido às incertezas com os custos de querosene e tensões geopolíticas, enquanto a Alaska Air Group desistiu totalmente da previsão para o ano.
Apesar dos resultados trimestrais superarem expectativas, a demanda permanece forte, especialmente entre passageiros com maior poder aquisitivo, conforme constatação da Delta e Alaska. Contudo, os gastos com combustível aumentaram 12,6% no primeiro trimestre, chegando a US$ 3,04 bilhões, um acréscimo de cerca de US$ 340 milhões em relação ao mesmo período do ano anterior.
Prevendo custos elevados, a United está reduzindo sua capacidade operacional, cortando em cerca de 5% o crescimento planejado. A empresa agora espera estabilidade ou crescimento máximo de 2% na capacidade medida em assentos-quilômetro disponíveis na segunda metade de 2026, em comparação com o ano anterior.
Empresas de baixo custo devem sofrer ainda mais. A Spirit Aviation chegou a considerar uma participação governamental para evitar possível encerramento das operações.
Essas dificuldades reacenderam debates sobre consolidação no setor. O CEO da United, Scott Kirby, chegou a sugerir uma fusão potencial com a American Airlines diretamente ao então presidente Donald Trump.
Em comunicado interno, Kirby destacou que a empresa poderia se beneficiar de uma reestruturação do setor, com oportunidades de aquisições aumentando devido ao preço elevado do petróleo e do combustível.
A companhia também indicou que pretende repassar entre 40% e 50% do incremento nos custos de combustível via aumento de tarifas no segundo trimestre, podendo chegar a 85% a 100% até o quarto trimestre.

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