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Luzinha na Lua: tripulação da Artemis vê meteoritos baterem na superfície lunar

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Durante a histórica missão Artemis II, astronautas da Nasa tiveram uma visão rara ao testemunhar meteoritos colidindo com a superfície irregular da Lua, despertando grande interesse científico.

“Com certeza foram flashes causados por impactos na Lua. E Jeremy Hansen acabou de ver outro”, relatou na segunda-feira (6) o comandante da missão, Reid Wiseman, enquanto orbitavam a Lua — um voo humano que não acontecia há mais de cinquenta anos.

“Incrível”, comentou Kelsey Young, cientista lunar da missão, que acompanhava a espaçonave a mais de 400 mil quilômetros da Terra.

“Eu não esperava que a equipe visse algum impacto nesta missão, então imagino a surpresa e o choque no meu rosto”, disse ela em uma coletiva de imprensa no dia seguinte.

Em Houston, a equipe da Nasa comemorou com “gritos de alegria” ao ouvir os relatos dos astrounautas sobre os flashes de luz produzidos pelos meteoritos, segundo Young.

O fenômeno é algo raro de ser observado, como disse à AFP a astronauta reserva Jenni Gibbons. “Eles eram prioridade científica alta, então ver quatro ou cinco foi surpreendente.”

Observações e perguntas da equipe

Ao retornarem em alta velocidade, a Nasa perguntou sobre os impactos observados durante quase sete horas de voo.

“Eles duraram bastante? Perceberam alguma cor?”, questionou Young.

“Pareciam pequenas luzes”, respondeu o canadense Jeremy Hansen. “Suspeito que houve muitos mais.”

Wiseman acrescentou: “Duraram talvez um milésimo de segundo, o mais rápido que o obturador de uma câmera pode abrir e fechar. Os flashes eram brancos a branco-azulados.”

“Para mim, não havia dúvidas de que todos vimos o fenômeno”, completou.

A equipe, que quebrou o recorde de maior distância da Terra durante o voo, relatou seis impactos no total.

Agora cientistas em terra cruzam esses relatos com dados de um satélite lunar, e a maioria dos eventos ocorreu durante um eclipse solar, quando a Lua bloqueava o Sol, explicou Young.

Desafios e futuros estudos

“Fiquei surpreso que eles tenham visto tantos, mesmo tendo sido treinados para isso”, comentou Bruce Betts, cientista-chefe da Planetary Society.

Segundo ele, as descrições ajudarão a entender a frequência dos impactos e o tamanho dos objetos que atingem a Lua.

Uma questão importante é qual o tamanho necessário para que um objeto provoque um flash visível aos astronautas. “Não são grãos de poeira, mas também não são rochas de um metro”, afirmou Betts.

Essas observações levantam a necessidade de monitorar mais de perto o fluxo de meteoros antes que uma base lunar seja construída, destacou Peter Schultz, professor emérito de Ciências Geológicas na Brown University.

Diferente da Terra, onde pequenos objetos queimam na alta atmosfera devido ao atrito, isso não acontece na Lua, o que traz desafios adicionais, concluiu Betts.

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