Centro-Oeste
Obesidade cresce no DF e pode alcançar 30% da população até 2030
A obesidade está aumentando de forma constante no Distrito Federal, preocupando as autoridades de saúde. Se essa tendência continuar, aproximadamente 30% da população da capital poderá estar obesa até 2030. Essa previsão é baseada em dados do Vigitel, uma pesquisa telefônica do Ministério da Saúde que monitora fatores de risco para doenças crônicas nas capitais. O tema foi discutido em um seminário da Secretaria de Saúde do DF, realizado em 27 de março, em homenagem ao Dia Mundial da Obesidade, comemorado em 4 de março.
Os dados mais recentes mostram a gravidade do problema. Em 2023, 60,3% das pessoas que moram no DF estavam com sobrepeso, e 21,9% já eram obesas. O excesso de peso não é apenas um problema isolado; ele afeta diretamente a saúde pública, estando associado a 15% das mortes prematuras e 55% dos casos de morte precoce por diabetes.
De acordo com a gerente de Nutrição da Secretaria de Saúde do DF, Carolina Gama, essa é uma tendência que vem crescendo historicamente. “Desde 2006, essa pesquisa mostra um aumento gradual do número de pessoas com obesidade no Brasil e no Distrito Federal. Se continuar assim, poderemos chegar a 30% até 2030”, explicou.
Apesar desse avanço, houve mudanças positivas: entre 2018 e 2023, aumentou a prática de atividades físicas no tempo livre e diminuiu o consumo de alimentos ultraprocessados e do tabaco. Porém, ainda existem riscos, como o consumo excessivo de álcool e a pouca ingestão de frutas e hortaliças.
Para Carolina Gama, a alimentação é o principal ponto para enfrentar esse problema. “Sabemos que a obesidade é uma condição crônica e com várias causas, mas a nutrição desempenha um papel central nesse processo”, destacou.
Infância no centro da atenção
Um dos assuntos principais do seminário foi o impacto da obesidade em crianças e adolescentes. A Secretaria de Saúde quer atualizar o atendimento existente desde 2015 para incluir esse grupo de forma mais estruturada. “Nossa linha de cuidado é de 2015 e identificamos a necessidade de atualizá-la para incluir crianças e adolescentes. Pretendemos iniciar isso ainda este ano”, disse Carolina Gama.
A preocupação é compartilhada por outros profissionais. A assessora de Redes de Atenção à Saúde, Carolina Cesar, destacou as consequências a longo prazo. “Quanto mais crianças com obesidade e sobrepeso, mais adultos doentes teremos. A pandemia mudou muito o estilo de vida, hoje elas ficam mais isoladas e passam muito tempo na frente de telas. Isso torna o cenário ainda mais desafiador”, comentou.
Desafios na vida real
Além dos números, histórias como a de Lucas Ribeiro de Jesus, atendente de farmácia de 23 anos, mostram as dificuldades diárias. Morador do Riacho Fundo I e pesando 141 kg, ele tem lutado contra o sobrepeso desde a infância. “Cresci em um ambiente onde isso era comum. Minha alimentação sempre teve muita fritura, fast food e exageros, principalmente nos fins de semana”, contou.
A mudança começou aos 18 anos, quando ele passou a frequentar a academia. “Tive bons resultados, mas com a pandemia tudo mudou. O isolamento e a ansiedade fizeram eu perder o controle”, lembrou.
Hoje, o trabalho dificulta a organização da alimentação. “É difícil ter horários fixos para comer. A correria impede que eu me organize ou prepare comida. O lado emocional também pesa, a ansiedade e a tristeza me fazem comer por impulso”, disse.
Mesmo com esses desafios, ele mantém a vontade de mudar. “Já consegui emagrecer antes, então sei que posso. Quero cuidar da minha saúde, não só pela aparência, mas pela qualidade de vida e meu futuro. Pretendo chegar a 81 kg”, afirmou.


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