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PM de SP aposenta tenente-coronel preso por feminicídio
Alerta: este texto aborda assuntos delicados como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você está passando por essa situação ou conhece alguém que esteja, ligue 180 e faça a denúncia.
A Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) colocou na reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, que está preso preventivamente pelos crimes de feminicídio e fraude processual.
Ele responde na Justiça Militar e na Justiça Comum, sendo o principal suspeito de ter matado sua esposa, a policial Gisele Alves Santana, no apartamento onde moravam, na região do Brás, centro de São Paulo. O crime ocorreu no dia 18 de fevereiro. O tenente-coronel nega o assassinato e afirma que a esposa se suicidou com um tiro na cabeça.
A transferência para a reserva foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira, 2. Conforme a portaria, Geraldo Neto receberá aposentadoria proporcional à idade, calculada com base no salário integral que tinha.
Em fevereiro, mês do ocorrido, seu salário bruto foi de R$ 28.946,81, e recebeu líquido R$ 15.092,39, segundo dados do Portal da Transparência do Estado.
Em março, a Corregedoria da Polícia Militar iniciou um processo para expulsão do tenente-coronel. Caso confirme a expulsão, ele perderá definitivamente o salário e a patente.
A Secretaria da Segurança Pública esclareceu que o processo segue sendo analisado, mesmo com a aposentadoria do oficial.
“A Polícia Militar reforça seu compromisso com a legalidade, disciplina e a valorização dos princípios que orientam a atuação policial militar”, informou em nota.
Detalhes do caso
Gisele faleceu com um disparo na cabeça na manhã do dia 18 de fevereiro, no apartamento que dividia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Neto. Só eles estavam presentes no local.
Geraldo Neto declarou à polícia que a esposa cometeu suicídio após ele manifestar desejo de se separar.
Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas foi alterado para morte suspeita diante do relato da família da vítima, que informou que ela vivia em uma relação abusiva, com controle excessivo e ciúmes do marido.
A polícia considera que a versão do tenente-coronel não é consistente e que Gisele foi assassinada pelo marido, configurando feminicídio. Essa conclusão baseou-se em várias evidências técnicas da perícia.
Entre as provas estão marcas de unhas no pescoço e rosto da vítima; manchas de sangue no banheiro, na bermuda e na toalha de Geraldo Neto; a posição da arma na mão de Gisele e a disposição do corpo no chão, sugerindo manipulação da cena do crime.
Outro ponto importante analisado foi a relação do casal. A Polícia Civil recolheu as mensagens trocadas entre Geraldo Neto e Gisele, revelando um relacionamento repleto de brigas frequentes, instabilidade e uma mulher sob forte controle e ciúmes do marido.
Essas conversas contradizem a versão do tenente-coronel, mostrando que Gisele desejava a separação, enquanto Geraldo resistia ao término.
A Corregedoria da Polícia Militar instaurou uma investigação e tanto a Justiça Militar quanto a Justiça Comum decretaram a prisão do tenente-coronel. Geraldo Neto foi detido em 18 de março e aguarda julgamento.


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