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Economia

População do DF é líder na compra de flores e plantas ornamentais

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Consumo per capita chega a R$ 44,23, quase o dobro da média nacional, de R$ 26,27. Apesar da vitalidade do setor, crise atrapalha crescimento

A pujança do campo no Brasil não se resume às lavouras de soja ou à criação de gado de corte. Vai muito além. O mercado de flores e plantas ornamentais é um exemplo da vitalidade que ultrapassa o agronegócio tradicional. O segmento cresce, em média, 8% ao ano e faturou R$ 6,7 bilhões em 2016. Essa representatividade é importante porque o setor é um dos que mais sofre em período de crise. Embora associadas à beleza da natureza e ao bem-estar das pessoas, as flores são consideradas supérfluas ao primeiro sinal de instabilidade econômica. Mas esse mercado tem um peso a ser considerado na economia nacional.

Números do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor) apontam que existem 8.250 produtores de flores e plantas espalhados pelo país. Esse grupo é responsável por empregar 199.100 pessoas. A população do Distrito Federal é líder na compra de flores e o consumo per capita chega a R$ 44,23, quase o dobro da média nacional, de R$ 26,27. O interesse pelos ornamentos leva a capital do país a movimentar R$ 216 milhões, em média, por ano.

Especialistas avaliam que a produção e o comércio de flores são consideradas atividades com grande potencial de crescimento na capital. Há 10 anos, o DF tinha apenas 50 produtores e, hoje, o número quase triplicou, para 139. Esse grupo cultiva uma área total de 529 hectares e emprega, em média, 10 trabalhadores por hectare. A produção local varia de flores de corte, flores de vasos, folhagens de corte, palmeiras, plantas ornamentais e gramas. A safra ainda é pequena, mas tudo o que é cultivado na cidade fica por aqui mesmo. Ou seja, a produção local garante 20% do total consumido aqui. As floriculturas importam de 70% a 80% do que é comprado pelos brasilienses.

Desafios

A estruturação do mercado de flores no DF acompanha a expansão do setor. Em 2007, o cultivo foi considerado como programa prioritário do Governo do Distrito Federal e contemplado com o Programa da Floricultura, a cargo da Empresa Brasileira de Extensão Rural (Emater-DF). Por meio da iniciativa, a estatal realiza capacitação de produtores, incentiva a comercialização, promove ações de sensibilização no campo, desenvolve atividades em parceria com outras instituições, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e universidades. “Brasília é uma cidade que cresce para os lados e, por isso, existe uma demanda por paisagismo, plantas ornamentais e de forrações. Além disso, os grandes eventos continuam acontecendo”, explica Cleison Medas Duval, coordenador do Programa de Floricultura.

O produtor Paulo Tashiro herdou o amor pelas flores do pai. Ele é dono da chácara Tashiro Agroflores, em Taguatinga Norte, e cultiva os ornamentos em cinco dos 37 hectares que possui. O forte da produção são os copos-de-leite, mas a espécie lisianthus (ou lisianto), de tons variados e com boa durabilidade, é muito pedida. Além de comercializar a produção na própria chácara, Tashiro revende na Central Flores, na Ceasa. Apesar disso, reconhece que o desempenho no último ano ficou aquém do esperado. “O mercado caiu muito e só melhora em datas especiais”, diz.

A arquiteta Larissa Cristina Moreira Benitez, 24 anos, não tem o hábito de comprar flores, costume que ela pretende mudar assim que sair da casa da mãe, em Taguatinga. Noiva, com casamento marcado para o próximo ano, a moça já se animou com a variedade e a qualidade das flores e plantas ornamentais, quando escolhia os produtos para a ornamentação do local onde será realizado o chá de panela. “Quero ter o hábito de comprar flores quando estiver morando na minha própria casa. Não acho que elas sejam caras. O preço é justo e é cobrado de acordo com o sistema de produção”, destaca.

O Brasil está entre os 15 maiores produtores de flores do mundo, mas tem potencial para avançar algumas posições, na medida em que o Produto Interno Bruto (PIB) e o consumo per capita aumentarem. A avaliação é do presidente do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), Kees Schoenmaker, que vê com confiança o futuro do segmento. “A nossa expectativa é de que o crescimento do setor em 2017 vai ficar entre 8% e 9% e que o faturamento chegará a R$ 7,2 bilhões”, ressalta.

Mudanças nos gastos
O presidente do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), Kees Schoenmaker, avalia que crise afetou o setor. Entretanto, a entidade já trabalhava com previsões de crescimento estabilizada em 8%, em média, nos últimos dois anos. Segundo ele, os gastos diminuíam de  acordo com o poder aquisitivo. A classe A continua a consumir, enquanto a B tem um perfil mais cauteloso. Já a classe C compra vasos menores e a D só em datas especiais.

 

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