Brasil
Raoni apoia Lula nas eleições de outubro apesar de críticas
Cacique Raoni Metuktire, conhecido internacionalmente pela luta pela preservação da Amazônia, afirmou nesta quarta-feira (8) à AFP seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro, mesmo tendo feito críticas a um controverso projeto ambiental durante seu governo.
O influente líder indígena brasileiro estabeleceu uma boa relação com Lula. Na cerimônia de posse para o terceiro mandato do presidente, em janeiro de 2023, Raoni acompanhou Lula na subida da rampa do Palácio do Planalto. Há cerca de um ano, o presidente visitou a aldeia de Raoni na terra indígena Capoto/Jarina.
Porém, Raoni também apontou críticas severas: em novembro do ano passado, ele disse não hesitar em repreender o presidente pelo apoio à exploração de petróleo próximo à foz do rio Amazonas.
“Eu vou apoiá-lo”, disse o cacique nonagenário em língua kayapó, com tradução de um intérprete, enquanto ocorria uma manifestação dos povos indígenas em Brasília.
Lula, com 80 anos, busca um quarto mandato em outubro, competindo contra o senador Flávio Bolsonaro, de 44 anos, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O presidente “já garantiu a demarcação de várias terras indígenas […] por isso eu o apoio. Quero que ele continue no cargo”, declarou Raoni.
Desde 2023, Lula homologou cerca de vinte territórios para uso exclusivo das comunidades originárias e conseguiu uma redução significativa no desmatamento na Amazônia.
Organizações indígenas planejam uma marcha em Brasília na quinta-feira para solicitar a proteção de novas terras, com o slogan “Demarca, Lula!”.
O movimento indígena demonstra apoio majoritário a Lula, que é visto de forma positiva em comparação ao seu antecessor Bolsonaro, que congelou as demarcações de terras e facilitou o aumento do desmatamento.
Raoni chegou a denunciar Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional pelos incêndios devastadores que afetaram a maior floresta tropical do mundo em 2019.
O cacique destacou que a extração ilegal de minerais e o desmatamento continuam ameaçando o modo de vida tradicional dos povos indígenas.
Ele se posiciona contra a construção prevista da Ferrogrão, uma ferrovia de quase 1.000 quilômetros que cortaria a Amazônia, projeto que está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana.
“O clima tem mudado muito. Vocês que não são indígenas têm uma visão equivocada. Estas mudanças estão prejudicando a todos no Brasil, não apenas os indígenas”, alertou o líder indígena.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login